Segunda Fundação - Isaac Asimov


E assim termino (finalmente!) a Trilogia da Fundação - falei em outro post que ela era uma das minhas séries não terminadas.

Segunda Fundação (Second Foundation) é seguida por "Limites da Fundação" e "Fundação e Terra", que narram eventos acontecidos após a trilogia. Os eventos anteriores são narrados em "Origens da Fundação" e "Prelúdio a Fundação".
A história se divide em duas partes: A Busca do Mulo (publicada originalmente com o nome de "Now You See It" na revista Astounding Science Fiction) e A Busca da Fundação (publicada como "And Now You Don't" na mesma revista). Sinceramente seria muito legal se fosse mantido o jogo de palavras no livro também pois ele descreve muito bem a história sem dar spoiler - aliás, jogos de palavras são bem importantes na narrativa.
A história não se passa muitos anos depois dos eventos finais de Fundação e Império e o Mulo continua desejando a localização da Segunda Fundação, que tem interferido na mente dos homens mais proeminentes de seu império.
Assim decide enviar dois homens para a missão de descobrir a Segunda Fundação: Han Pritcher (o antigo militar da Fundação controlado por Mulo) e Bail Chain (que não era controlado por ele; muito contrário, era famoso por ironizar o Mulo). As buscas dos dois acabam por levá-los a Finstrel, um pequeno mundo agrícola totalmente "fora" da política galática.
O Mulo acaba por alcançá-los e é derrotado finalmente pela Segunda Fundação, que altera sua mente, transformado-o num déspota esclarecido [pesquise na internet o que é isso ;) ] até o fim de sua (breve) vida. O que achei interessante é que na conversa entre o Primeiro Orador (posto máximo na Segunda Fundação) e o Mulo, descobrimos que o mutante é infértil - mas no final do livro anterior ele afirma a Bayta que poderia pensar em fundar uma dinastia caso encontrasse uma companheira adequada (no caso, a jovem).

A segunda parte da história narra eventos ocorridos após a morte do Mulo, quando seu império acaba se fragmentando. Nela encontramos o filho de Bayta, Toran, que é um cientista e tem uma filha pré-adolescente, Arcádia (ou Arkady, como prefere ser chamada).
A Fundação vive tranquila e feliz, com um governo democrático que emergiu após o fim do império do Mulo, e acreditando ser invencível pois a Segunda Fundação os manteria sempre protegidos, o que os torna "indolentes" - o mesmo problema que levou a queda diante de Mulo.
Quem deseja descobrir a Segunda Fundação dessa vez são os cientistas da Fundação (dentre os quais se inclui Toran), os quais percebem a manipulação de várias mentes pela Segunda Fundação. Para isso eles começam a desenvolver o que as personagens chamam de psicologia - mas para mim é mais neurociência que qualquer coisa rs (Esse é o link para página do Bacharelado em Neurociência, da UFABC, para quem tem curiosidade de ler sobre o tema).
Para alcançar seu propósito, enviam Homir Munn (o mais tímido do grupo) até Kalgan, a sede da antiga União dos Mundos (império de Mulo) para tentar ter acesso ao que o Mulo sabia na época de sua morte. Arkady, com seu gênio dado a aventuras, parte junto com Munn como clandestina.
Acontece que acabam em uma grande confusão, pois o novo líder de Kalgan deseja atacar a Fundação e fundar ele mesmo o Segundo Império Galático previsto por Seldon - e para piorar pretende se casar com Arkady quando estiver adulta, pois sua origem era "nobre".
A garota foge e consegue ir para Trantor, a antiga capital do Império, que ainda é um mundo agrícola mas um pouco menos decadente que a maneira que é apresentado no livro anterior. Achei chato apenas pois queria saber mais de Trantor e também da família de Arcádia.
Diante da tensão pela possibilidade de que a Fundação caia nas mãos de Kalgan e de onde está a Segunda Fundação, Asimov consegue dar um desfecho bem interessante para a história - eu só perdi o plot twist do final porque eu já tinha procurado resenhas do livro e sabia da reviravolta.

Achei Segunda Fundação um dos livros menos empolgantes da série, mas ainda Asimov mantem um bom ritmo. O Mulo é uma personagem mais bem trabalhada e continua sendo meu vilão preferido - já havia gostado demais dele em Fundação e Império.
Aqui o autor detalha melhor a Segunda Fundação e qual seria sua função. Ela deveria permitir que o Plano Seldon alcançasse seu objetivo e seria ela a "herdeira" do Império e não a primeira Fundação, pois enquanto a primeira dominava o conhecimento exato (científico) eles dominavam a mente através da psico-história. Aqui faz sentido a frase que consta na capa da edição da Aleph, onde um economista fala da importância da série na vida dele por ela colocar no centro as ciências humanas como forma de prever o futuro e não as exatas - apesar da psico-história ser um belo equilíbrio das duas.
Mas na minha opinião, quando é dito os motivos da superioridade da Segunda Fundação e que por isso lhes cabia o Segundo Império, usa-se o argumento do "alguns são mais iguais que outros" - o que me desagradou. É a mesmas coisa que dizer que uma pessoa inculta tem menos direito ou deve ser rebaixada por não ter o conhecimento (cultura) que um doutor tem; ou que um doutor, pelo simples fato de sê-lo, é uma pessoa competente para tudo o que for dado para ele fazer...
Além disso, na maneira como o Primeiro Orador descreve o tipo de sociedade que a Segunda Fundação geraria, me parece muito com uma ditadura onde eles aproveitariam seus dons para dominar os demais.
Além disso, há o fascínio do Bom Doutor com pessoas que conseguem ler e manipular mentes. Ler, no sentido que ele coloca até faz sentido - pessoas que aprendem a "ler" a mente dos outros através do gestual - agora manipular mentes e a distância... Puxa, não faz sentido algum.

Aliás, o autor traz a ideia do poder de ler mentes em outro livro que coloquei há pouco aqui: Nemesis.

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