Nemesis - Isaac Asimov
Meu novo vício literário é ficção científica, desde que li sobre Isaac Asimov e seus livros tenho procurado saber mais sobre outros autores e refletido bastante nas propostas de futuro que cada um apresenta - algumas são otimistas demais na minha sincera opinião.
Nemesis, segundo o próprio autor, não pertence ao universo de Fundação, mas ele não contesta também esse universo - pelo que li nos livros e em artigos sobre o universo da Fundação. Inclusive ele é citado pelas personagens de Fundação e Terra, ou seja pelo menos a história é conhecida pelas personagens; se eles a consideram real ou não, isso não dá para saber.
Aqui temos uma Terra imersa num período que eu classificaria como anterior a saga Robôs... Já temos uma super população, mas os humanos ainda não tem a agorafobia e não possuem tecnologia suficiente para deixar o Sistema Solar. Nesse cenário existem a Terra (super povoada com 8 bilhões de habitantes... No final da década de 80, quando o livro foi publicado, a população mundial era de aproximadamente 5 bilhões ) e colônias espaciais que gravitam em torno do nosso planeta, de Marte e do cinturão de asteroides - de onde as colônias retiram matéria prima.
Os habitantes da Terra são julgados inferiores pelos moradores das colônias, já que eles temem viajar pelo espaço e vivem comprimidos num ambiente sujo, desigual e sem tecnologia. Uma observação interessante é que eles desprezam a Terra por ser natural, com uma gravidade sempre igual (nas colônias eles manipulam a gravidade para poder flutuar quando necessário), fenômenos naturais como tempestades e grandes espaços. Se olharmos friamente eles não gostam de não poder controlar totalmente o ambiente e nem de diferenças - raças, clima.
Acho interessante como a humanidade, no fundo sempre anseia pelo pleno controle da natureza e pela homogeneidade, o contrário do que a natureza tem a oferecer - veja que a maneira mais fácil de descobrir se uma floresta é natural ou reflorestamento é que a natural é heterogênea e sem uma "forma" definida; a natureza é caótica e não gostamos disso.
Acho interessante como a humanidade, no fundo sempre anseia pelo pleno controle da natureza e pela homogeneidade, o contrário do que a natureza tem a oferecer - veja que a maneira mais fácil de descobrir se uma floresta é natural ou reflorestamento é que a natural é heterogênea e sem uma "forma" definida; a natureza é caótica e não gostamos disso.
Dentro desse cenário acompanhamos Marlene Fisher. A garota de 15 anos é muito inteligente, contudo é desprezada por todos por não ser tão bonita quanto outras garotas de sua idade (ou como sua mãe, Insigna). Ela vive em uma colônia, Rotor, onde sua mãe (Insigna) é astrônoma; seu pai, Crile, era da Terra e após a deterioração de seu relacionamento com Insigna e diante da evidência de que Rotor deixaria o Sistema Solar, abandona a colônia - na verdade ele era um espião da Terra e por isso não podia partir com os rotarianos.
Insigna ainda se recente do marido e Marlene sente um certo desprezo da mãe, esse cenário contribui para que desenvolva uma habilidade: descobrir o pensamento das pessoas. Ela não lê as mentes, mas descobre tudo através da linguagem corporal da pessoa - o que a deixa feliz, desconfortável, irritada.
O interessante é que esse é um tema recorrente do autor, a Segunda Fundação é marcada por possuir pessoas capazes de ler a mente dos demais e até de manipulá-la, na saga Robôs esse tema também é abordado.
O interessante é que esse é um tema recorrente do autor, a Segunda Fundação é marcada por possuir pessoas capazes de ler a mente dos demais e até de manipulá-la, na saga Robôs esse tema também é abordado.
A garota nutre um desejo incontrolável de conhecer Erythro, o satélite ao redor do qual Rotor gravita e onde mantem uma pequena colônia científica. A lua, que tem características semelhantes a Terra, gravita ao redor e Megas, um gigante gasoso semelhante a Júpiter; o planeta por sua vez gravita uma estrela, Nemesis, que dá nome ao livro.
Erythro é uma lua habitada por pequenos seres unicelulares; a ideia de uma lua com vida não é estranha pois há alguma especulação sobre a possibilidade de Europa, uma das luas de Júpiter, abrigar vida - o artigo é da Wikipédia, mas é suficiente para ter uma ideia do tema.
Erythro é uma lua habitada por pequenos seres unicelulares; a ideia de uma lua com vida não é estranha pois há alguma especulação sobre a possibilidade de Europa, uma das luas de Júpiter, abrigar vida - o artigo é da Wikipédia, mas é suficiente para ter uma ideia do tema.
Acontece que Nemesis é uma espécia de "estrela irmã" do Sol, menos brilhante, e está se encaminhando para o Sistema Solar - você já deve ter visto essa história em vários lugares. Insigna, a descobridora de Nemesis se sente culpada por não avisar os habitantes da Terra, contudo Janus Pitt, o líder de Rotor é contrário a qualquer forma de contato entre a colônia e o planeta - na verdade ele planeja começar uma nova civilização "pura" no espaço, sem as misérias da Terra (Hitler curtiu isso).
Ao contrário do que todos esperavam, os habitantes da Terra descobrem a partida de Rotor e sobre Nemesis (que, aliás, é o nome da deusa grega da vingança) assim como que eles haviam descoberto o voo hiperespacial, o qual permitia viagens próximas a velocidade da luz.Revoltados com a traição de Rotor, os habitantes da Terra pretendem desenvolver o voo superluminal (acima da velocidade da luz) a fim de alcançar a colônia e destruí-la ou forçá-la a cooperar com a Terra. Nesse ponto Crile recebe a tarefa de conseguir a cooperação de Tessa Wendel, uma física teórica que vive em uma colônia e alega ser possível alcançar o voo superluminal. Então acompanhamos Crile e Tessa (que se tornam um casal) tentando alcançar Rotor.
O romance segue duas linhas narrativas: Marlene, que consegue convencer Pitt a permitir que ela e a mãe vivam em Erythro e o seu contato com o planeta; Crile Fisher, que retorna e Terra e deseja rever Marlene a todo custo.
O romance segue duas linhas narrativas: Marlene, que consegue convencer Pitt a permitir que ela e a mãe vivam em Erythro e o seu contato com o planeta; Crile Fisher, que retorna e Terra e deseja rever Marlene a todo custo.
Confesso que não gostei tanto desse livro... Um amigo havia reclamado que as personagens do Asimov não são tão bem construídas, em Fundação há um sentido para isso pois a própria Fundação é importante e as personagens apenas "passeiam" por ela, não há tempo para detalhar e desenvolver as mesmas ou a narrativa perderia agilidade. Mas Nemesis acompanha as personagens por muito tempo e tenta incluir alguns conflitos pessoais na história, além da ficção, como o conflito entre Marlene e Insigna, Crile contra o governo, mas acaba ficando muito forçado porque as personagens não são profundas o suficiente para isso.
Achei Marlene muito irritante, eu a classificaria como uma garota mimada; Insigna parece muito incompetente, sendo que ela sempre cede a opinião alheia; só gostei de Sieve Genarr (o líder da colônia em Erythro) que é inteligente e bem mais sensato, apesar da maneira como ele trata Marlene ser surreal. Crile e Tessa são descritos como puro tesão (kkk) e Tessa só vive preocupada com estar velha - as mulheres desse livro não se comparam a Bayta, de Fundação e Império.
O cenário político e as possibilidades científicas são bem legais: a Terra com único governo, inglês sendo a língua do planeta; o desprezo e evolução científica superior das colônias, as técnicas de conquista do espaço - além de, querendo ou não, o romance apresentar alguns motivos para o quadro mostrado na série Robôs, como a agorafobia, o desejo de isolamento. O modelo de vida extraterrestre que Asimov traz também é bem interessante.
Outro ponto positivo é o encerramento da história, com um Janus Pitt prevendo um cenário semelhante ao apresentado nas demais séries de Asimov, um mundo onde o homem conquistou o espaço.
"A anarquia, a degeneração, o imediatismo, as disparidades culturais e sociais que caracterizavam a civilização dos terráqueos seriam exportados para toda a Galáxia.
Que haveria agora? Impérios galácticos? Todos os pecados e tolices de um mundo multiplicados por milhões de mundos? Todos os males e misérias incrivelmente ampliados?
Quem poderia administrar com competência uma Galáxia, quando ninguém conseguira administrar com competência um único planeta? Quem poderia aprender a interpretar as tendências e prever o futuro em uma Galáxia inteira, pululando de vida?
Nêmesis tinha realmente chegado. "
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