O Último Desejo - Andrej Sapkowski

Pois bem, sigo lendo os livros da saga The Witcher (aproveitando enquanto estão no Kindle Unlimited rs)... Apesar de não ter postado nenhuma resenha sobre os demais livros da série, estou lendo o quinto livro da série (Batismo de Sangue). Pensei em resenhar minha última leitura, mas vi que ia ficar meio sem sentido dentro da minha proposta de falar sobre o que leio... Talvez eu faça um texto no final falando da série toda.

Lembro que ter ouvido falar a primeira vez sobre a série quando fiquei órfã de Senhor dos Anéis, sem um novo livro de alta fantasia para ler comecei a ver sobre outras séries com a mesma pegada, como a Roda do Tempo. Contudo, na época o valor dos livros acabou sendo proibitivo para mim - aqui faço uma observação: tenho só uma parte dos livros do Tolkien, todos de segunda mão.

Mas eis que o tempo passou e surgiu uma oportunidade para ler os livros da série, ainda que permaneça sem tê-los.

Gostei demais da criação de mundo, pois aqui temos um mundo com um ar "pós Tolkien" pois a sociedade parece mais decaída se você comparar o final de Senhor dos Anéis com o que você vê aqui... A sociedade retratada ainda tem elementos mágicos, como os elfos e anões, contudo qualquer ser não humano é tratado como gente de segunda classe e parte do conhecimento dos elfos foi perdido, sendo que seus palácios em ruínas ou tomados por humanos ainda permanecem aqui e ali.

Ao longo dos livros você fica sabendo que teve um conflito entre humanos e os elfos, onde os humanos saíram como vencedores e que esta é uma ferida que permanece aberta, sendo que todos não humanos são vistos com o mesmo grau de desconfiança - ainda que alguns se valham de alguma vantagem financeira que os "blinda" como os anões que são donos de bancos.

Aqui já dá para ver como o autor encaixa alguns temas atuais certinho com a história que ele está contando... Quantos não deveriam estar na classe de párias dentro da nossa sociedade e às vezes não sentem tanto o peso do preconceito por terem algo que serve como um "bilhete dourado" dentro da sociedade - como dinheiro, uma habilidade (esporte, música).

Outra classe que provoca sentimentos contraditórios são os bruxos e as feiticeiras, no qual se inclui o protagonista, Geralt de Rívia e sua paixão, Yennefer, respectivamente. Os dois são humanos alterados para determinadas funções, mas acabam sendo pior ou melhor aceitos pelos demais.

No caso dos bruxos eles sofrem transformações para caçar monstros, sendo inclusive considerados um deles por seus olhos com íris vertical (como a dos gatos) e habilidades sobre-humanas, além de uma notada falta de empatia e outros sentimentos. (O que, no caso de Geralt, sabemos que não é bem assim).

Já as feiticeiras (e feiticeiros) possuem um dom para acessar energia da natureza, em determinado ponto da história percebemos que são muito envolvidos com a política, que são inférteis, que estão envolvidos com a decadência dos bruxos - quando a narrativa começa já sabemos que os bruxos são raros no momento em que se passa a história.

Assim, ao longo dos livros acompanhamos uma série de histórias envolvendo Geralt e outras personagens que são recorrentes, como Yennefer, sua paixão, Jaskier, um bardo que é seu amigo. Neste primeiro livro a história é meio... "descolada" sendo formada por uma coletânea de contos que são conectadas pela figura de Geralt, porém adianto a quem se propõe a ler que fique beeem atento pois muitas vezes uma personagem secundária acaba tendo muita importância dentro da trama - lendo Tempo do Desprezo tive que procurar anotações sobre o Último Desejo, pois tinha fatos que eu já não me lembrava (considerando que li esse livro em 2023).

Inclusive fui reler minha resenha no Skoob e descobri que não falei nada da história em si, mas somente que havia gostado do livro e que ele aborda alguns temas interessantes sem ser piegas - mantenho minha opinião rs.

Eu não acompanhei a série da Netflix, seguindo a minha máxima de evitar ver o filme/série antes de ler o material base - para poder dizer "o livro é melhor" kkk.

Para encerrar, trago uma citação que anotei que achei bem Senhor dos Anéis, devido ao tom melancólico:

Também ouvi essas histórias. A maior parte delas ou é inventada, ou exagerada. Não, Jaskier. O mundo está mudando. Algo está acabando. (p.221)

Foto de Mathias Reding https://www.pexels.com/pt-br/foto/homem-irreconhecivel-caminhando-por-entre-arvores-enevoadas-no-outono-5869023/


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