Livros nunca lidos: A Casa das Orquídeas (Lucinda Riley)

Ganhei esse livro de presente de aniversário de um amigo, há mais de um ano, e até hoje não terminei de ler... Nunca fiz nenhum texto sobre os livros que comecei e nunca terminei, acho que esse é um bom livro para começar.
O livro é enorme, tem 560 páginas, e conta duas histórias que se passam em períodos diferentes e são conectadas por um lugar: Wharton Park, que é de propriedade dos Crawford. O título do livro provem da estufa da casa, que tem exemplares de belas orquídeas.
A história que se passa no passado, no período da Segunda Guerra Mundial, é a de Olivia Drew-Norris (que já consta na capa que se tornará a Sra. Crawford #spoiler rs). Ela é uma garota que viveu o tempo todo no Oriente, pois seu pai é militar, mas a família veio para Londres para que ela seja apresentada a sociedade britânica - o famoso baile de debutante. Ela é bela, triste, inocente e um tanto rebelde pois não está acostumada a frieza típica dos ingleses e preferia voltar à Índia com sua beleza exótica, calor e pssoas mais afetuosas.
Quando chega em Londres, logo faz amizades com garotas consideradas má influência para época - liberadas sexualmente, sensuais e que abominam a ideia de serem debutantes boazinhas procurando bons casamentos. Olívia se rende a elas e se integra ao grupo, contrariando sua avó, mentindo e seduzindo para isso...
O que parece óbvio nesse ponto da história é que ela teria que passar por cima da avó dominadora e da mãe apática para encontrar sua desejada liberdade e (talvez) vivesse um romance tórrido com alguém. Mas tudo muda quando ela conhece Harry Crawford e sua família.
Olívia se apaixona por Harry, que é um rapaz doce e romântico e... Se casa com ele, claro! Venetia (uma das amigas de Olívia) se mostra decepcionada, mas não deixa a amiga só.
Olívia se casa com seu príncipe e vai morar no campo, distante da agitação da cidade grande pela qual ela havia se apaixonado. Ela enfrenta logo de cara alguns problemas no casamento - como Harry não ter certeza se é heterossexual (meio bizarro, não?!) e seu treinamento para lutar na guerra que havia chego como um sinal de mau agouro.
Os problemas se resolvem, a moça perde sua virgindade e, depois de um tempo engravida. Acontece que, percebemos ao longo da história, ela tem problemas para engravidar e perde o bebê - isso acontece em outras ocasiões.
Então ele vai para a guerra e ela também participa de maneira valente do esforço de guerra, cultivando a fazenda para produzir provisões para o exército - bela, inteligente e corajosa, é como Harry a define.

Enquanto Olívia trabalha duramente, Harry luta no front Oriental e acaba preso pelos japoneses... Durante esse período ele acaba fazendo amizade com um de seus criados que também havia ido lutar, Bill. Ele é o marido da jovem Elsie, que é a avó da personagem central da história no tempo presente, Júlia Forrester.
Júlia é uma pianista famosa, que passou por um grande trauma recentemente - depois de muiiito enrolar a autora revela que perdeu o marido e um filho pequeno em um acidente de carro e se sentia culpada por não morrer com a família.
Para tentar relaxar, Júlia se volta ao lugar em que cresceu e aluga um chalé enquanto não tem coragem de voltar para a França, que é onde mora. Na cidade ela tem que conviver com sua irmã Alícia, que ela considera uma "entrona" mas é apenas uma pessoa preocupada com a irmã caçula.
Um dia ela vai até Wharton Park com a irmã, pois os Crawford estavam falidos e iam vender a propriedade e todos seus bens para sanar dívidas, uma das estratégias era leiloar e vender tudo quanto possível. Andando pelo casarão da propriedade, Júlia encontra o herdeiro, Kit Crawford.
Kit iria vender toda propriedade e manter consigo o chalé que havia sido a moradia dos avós de Júlia e, quando foi reformar o local, achou um diário que Bill manteve enquanto estava lutando na Tailândia. Querendo entender o conteúdo do diário, Júlia o leva até sua avó Elsie a qual decide contar tudo que sabia sobre os Crawford e revela que sua história seria uma tragédia.
Dessa forma é que a autora conecta os dois tempos da história; mas não pense que a alternância é ágil... Há longos trechos de casa história - o que se torna um defeito, na minha opinião.
Achei a história de Olívia bem interessante até certo ponto, quando começa a narrativa do que aconteceu na Tailândia. Por lá, depois de liberto, Harry torna-se músico num bar (seu sonho sempre foi poder viver de arte) e se apaixona por uma moça tailandesa e tem um caso com ela, chegando a pensar em abandonar tudo e ir viver com Lídia... Mas ele mantem uma vida dupla e numa viagem que fez à Inglaterra, acabou engravidando Olívia de novo, o que o obrigada a voltar à Europa.
Lá ele não consegue se desfazer de Olívia e manda Bill voltar a Tailândia e explicar tudo à Lídia; quando volta ao país, Bill tem a notícia de que ela havia tido uma filha de Harry e que morrera após o parto. O criado retorna à Inglaterra com umas orquídeas (o pretexto de sua viagem ao Oriente, a fim de enganar Olívia) e um bebê.
Claro que a tragédia só podia ser amarrada com Olívia descobrindo tudo, ela permite que a criança cresça em Wharton Park sob a condição de filha dos criados e passa o resto dos seus dias se divertindo com a dor de Harry - que é informado apenas da morte de Lídia.
No presente, Júlia e Kit se envolvem, apesar da resistência dela que se sente uma "viúva alegre"... Até que: O marido morto de Júlia aparece. Então ele revela que não morreu no acidente, mas ficou vivendo nas sombras se sentindo culpado pela morte do filho deles - francamente, achei muita viagem a volta do cara à vida.
Outro problema que surge é que Júlia é filha da criança da Tailândia, que é sua mãe (já falecida) e portanto prima de Kit... Mas eles resolvem que dá para conviver com isso, já que são primos distantes. Outro ponto que surge no final é que Alícia é adotada, e só descobre isso porque Elsie conta - a clássica cena do cara que é adotado e não sabe.
Para esticar (ainda mais) a história, Lucinda adiciona um final onde Júlia vai até a Tailândia e descobre que Lídia não morreu, mas está viva (!!!).

Bem, acho que já deu de resumo não é?! rs Você pode estar se perguntando como não terminei de ler e sei tudo da história, inclusive o fim... Esse é um defeito da narrativa, ela é longa e um tanto maçante, mas com uma boa folheada você entende toda história.
Numa primeira leitura eu havia curtido mais a história do passado, mas lendo melhor... Ela manipula Olívia demais, ela tem um início brilhante, apontando para a discussão de temas importantes da sociedade da época e... acaba virando a princesa salva pelo príncipe encantado - e por fim uma mulher amarga.
Harry não desperta nenhuma simpatia, no começo ele parece um cara legal e pouco compreendido, mas acaba como um covarde que consegue ferir profundamente duas mulheres - e só na mente da autora que uma pessoa de verdade se sentiria super de boa com o que ele fez, como Lídia.
No presente a história até é mais legal, mas a autora estraga ela na hora de conectar com o passado - eu pulei as leituras do passado e parei de ler o livro justamente onde ela conecta as histórias.
A história de Júlia é bem dramalhão... Mas depois de um ponto a autora para de focar no fato que ela sofre. Eu acho a história dela com o Kit até que boa, e ele é um carinha legal.
De maneira geral as personagens são caricatas, rasas e parece que ela ficou enchendo linguiça para fazer essas 560 páginas - se a história fosse mais curta, até seria melhor pois ficaria mais ágil. As personagens femininas são fracas e a tentativa da autora de dar um ar de independência para elas as deixou pior.
Para não dizer que não tem grandes frases, uma citação do livro
"Disseram-me, certa vez, que a morte é tão natural quanto o nascimento, parte do ciclo de alegria e dor para os humanos. Virá para nós todos e nossa incapacidade de aceitar nossa própria mortalidade e a daqueles que amamos faz parte da condição humana." (p.212)

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