Igrejas que calam Mulheres - Yago Martins
“Na verdade, é apenas o evangelho de Cristo que foi gerado e criado por uma mulher, sustentado por uma mulheres, defendido por mulheres e, ainda hoje, adorado por mulheres.” (p. 17)
Existe uma acusação (falsa) de que o cristianismo é uma religião machista e que vários tabus enfrentados pelas mulheres na sociedade em que estamos inseridos teriam sua origem no cristianismo - afinal, como uma religião que fala de submissão feminina, que prega um controle da sexualidade e a importância do papel feminino dentro de casa poderia ser benéfica?
Se você é cristã e uma criatura pensante já deve ter passado algumas crises vinculadas a qual é seu valor e papel na família, sociedade e também dentro da igreja. Já tive essa fase também, sobrevivi e hoje fico com a “antena ligada” quando vejo alguma obra sobre o tema.
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| Como diria Galadriel “Eu passei no teste. Vou diminuir, irei para o Oeste e permanecerei Galadriel.” |
Pincelando de maneira geral é importante lembrar que:
- As mulheres têm valor dentro do Evangelho
- Cristo valorizou as mulheres em um contexto social onde elas eram super desvalorizadas e descredibilizadas
- Grande parte das “verdades” atribuídas ao evangelho são falas que são oriundas da cultura greco-romana que contaminou em vários momentos a fala da igreja - sim, quem fala que mulher é louca, estúpida e passional são os gregos (vide os mitos relacionados às suas mulheres)
- O cristianismo todo traz um “mundo de ponta cabeça” onde o que tem valor real é aquilo que não tem valor aos olhos do mundo - então submissão e serviço ao lar (dedicação a filhos e casa) não são degradação, isso é um conceito secular que dá valor às pessoas de acordo com a renda que geram
Mesmo sabendo disso, muitas vezes surgem dúvidas sobre questões bem específicas e existem pontos que ainda são muito discutidos no meio cristão. Não faz tempo tempo que li Feminilidade Radical e um ponto que me incomodou demais foi a ideia da submissão feminina além do ambiente familiar, tanto que a autora faz uma ginástica mental para falar de como uma chefe deve lidar com os homens sob sua liderança.
Assim, um tempo depois ouvi falar sobre esse livro que foi lançado em 2024 pela Mundo Cristão. Recordo demais de ter visto os comentários na postagem detonando e já com muitas acusações de “isso é feminismo”, “progressismo” e todos -ismos possíveis.
Assim quando vi esse livro disponível no Kindle Unlimited não perdi tempo e já tratei de garantir a leitura… Que confesso ter sido bem pausada para que eu refletisse bem sobre o tema.
Em linhas gerais o Pr. Yago Martins vai abordar algumas questões relacionadas ao feminino dentro do contexto da igreja brasileira - acho bem interessante destacar esse ponto… Estamos muito acostumados a trazer obras de autores gringos e acaba ficando pendente uma contextualização, sem contar que muitos pré-conceitos sociais acabam vindo travestidos de Bíblia (como senti em Feminilidade Radical, no que tange inseminação artificial).
Vamos ter uma abordagem sobre submissão, vestimentas (sim, ele fala da moda modesta rs), papéis dentro da igreja (mulher pode ou não ser pastora?) que são temas esperados dentro de um livro com essa temática - considerando o título do livro, seria óbvio o último tema.
Mas ele também fala sobre violência doméstica, divórcio, o “trabalhar fora”... Inclusive pontuando com exemplos saudáveis ou não de como temos lidado com isso. Sobre a relação com o mercado de trabalho, a visão dele é bem pé no chão, pois no nosso contexto social e econômico é loucura achar que toda mulher pode abrir mão de seu trabalho para cuidar da família.
[Observação útil… Mesmo no contexto norte-americano, essa questão gera discórdia entre diversos setores. Há uma cobrança pela mulher ter uma carreira “vencedora” mas, ao contrário daqui, não há tanta infraestrutura para isso através de creches, por exemplo.]
Bem, depois desse apanhado sobre o tema… O que eu acho do livro afinal?
Recomendaria sim a leitura para quem quer entender, ou mesmo ter um ponto de vista, sobre qual é o papel da mulher dentro do cristianismo… Entender o que a Bíblia de fato fala sobre o vestir, sobre o trabalho, igreja e como Cristo vê as mulheres. Não chegue esperando um manual de conduta, mas espere achar muitas referências bíblicas e muita explicação sobre pontos contraditórios.
Agora espero ler em breve um dos livros mencionados, “Ela a imagem dele” (Francine Walsh) que, segundo o autor, vai se debruçar sobre o tema numa fala “de mulher pra mulher”.



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