A Escolha (Nora Roberts)
Pois é, eu disse que não sabia se leria o terceiro livro da trilogia Legado do Coração de Dragão e, olha só, eu li rs
Não se trata de uma nova obra prima literária, mas é divertido, li rapidamente e usei como uma leitura para descansar a mente sabe?! (Aquele livro pra quando você não quer algo que vai te deixar pra baixo, com finais felizes e coisas boas acontecendo o tempo todo)
Aqui basicamente vemos Breen se tornando finalmente aquela heroína de livro mesmo, com discursos encorajadores e cheios de coragem, capaz de tomar decisões difíceis e absolutamente carismática.
Gostei que ela acaba sendo a pessoa que tem coragem de fazer o que realmente tem que ser feito: elaborar um plano para matar Odran. Se você parar pra pensar é óbvio que isso teria que acontecer em algum momento, mas é Breen a personagem que acaba tendo essa percepção de uma forma bem natural.
Alguns pontos que não gostei:
Ausência de capítulos mostrando os passos de Odran - nos outros livros havia uma quantidade maior de capítulos que mostravam o que estava rolando no reino de Odran. Esses trechos acabavam mostrando quem o deus era de fato: belo, mortal, insensível, sedutor e brutal. Aqui você somente o vê sob as lentes do pessoal de Talamh.
Final de algumas personagens - o final da mãe da protagonista… Gente, não tem nenhum impacto (!). Está lá só pra mostrar como a mocinha é tão bondosa e capaz de perdoar sua mãe; havia muitas possibilidades de conflito, cheguei até a achar que Odran usaria ela (voluntariamente ou não) mas nada disso aconteceu. A solução dada a Shana também é frustrante, ficou com cara de algo corrido.
A história da família de Marco - o melhor amigo de Breen continua excelente, ainda que a autora tenha tentado torná-lo um guerreiro (algo que definitivamente ele não é). Ele está prestes a se casar e aí, talvez por esse motivo, existe um momento onde Breen vai falar com a mãe dele… Sabe o que isso acrescenta na história? Nada. Marco já estava resolvido com o fato dos pais não aceitarem sua sexualidade e já havia cortado relações com eles; Breen vai lá pra mostrar como ela é amiga leal e decide sequer contar para Marco o fato de que sua mãe sequer mencionar seu nome.
Adicionar fatos novos - desde o início é dito que Breen é a “escolhida” por sua descendência de Odran (deus), além de possuir em sua ascendência pessoas de vários povos de Talamh (elfos, fadas, bruxas, humanos). Nora Roberts adiciona mais um elemento nessa sopa: demônio (meio que na ideia da cultura japonesa, de que o demônio não é algo ruim em si) e devido a esse novo “poder” é que Breen pode realmente matar seu avô malvado.
Do que gostei:
Protagonista corajosa - Breen não se torna uma super-guerreira-ninja, ela se torna alguém capaz de sobreviver a uma batalha e demonstra inteligência e coragem na maneira como lida com as situações apresentadas. Acredito que ela ficou alguém mais factível assim do que tendo se tornado uma guerreira super habilidosa.
Marco - ele está super divertido aqui e sempre a voz da razão.
Ritmo - a história flui sem barrigas e criando expectativas sobre o próximo desafio que os protagonistas irão enfrentar.
Construção de mundo - Talamh é um mundo muito simples, mas Nora Roberts o apresentou de uma maneira mais completa aqui nesse livro. Vimos os sereianos, entendemos um pouco mais sobre os portais e tivemos vislumbres de outros mundos.
Enfim, foi um bom encerramento para a história; ainda que eu acredite que havia pontos que poderiam ser melhor desenvolvidos.


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