Como eu era antes de você - Jojo Moyes
Sabe aquele livro você termina de ler e fica "porquê?!"... Então, esse é "Como eu era antes de você", da Jojo Moyes. Eu já sabia o final da história e não estava nem a fim de ler, mas a ironia do Will as citações do filme que perambulavam pelo Facebook me convenceram a lê-lo.
Will Traynor é um jovem executivo londrino e tem tudo que podia querer: segurança financeira (bote segurança nisso), beleza, uma noiva maravilhosa e sucesso profissional. O que podia dar errado?
Sua vida maravilhosa acaba numa manhã chuvosa, quando resolve pegar um táxi para ir trabalhar - afinal, andar de moto num dia de chuva é loucura né?! No momento em que se prepara para entrar no carro Will é atropelado por uma moto. Consequência? Uma vida presa a uma cadeira de rodas, pois fica tetraplégico.
Do outro lado da história temos a fofinha Louisa Clark (Lou). Uma garota estabanada que se veste de uma maneira... exótica e que ama seu trabalho em um café sua pequena cidade; tem um noivo ausente e mora espremida com os pais e sua irmã caçula, que é mãe solteira. Sua vida muda no dia em que o café fecha as portas e ela tem que sair em busca de um novo emprego.
Após procurar entre as opções disponíveis, aparece uma vaga tentadora: um emprego como acompanhante de um tetraplégico, pagavam bem e era por apenas seis meses. Sem muitas opções Lou aceita a vaga e assim conhece o sarcástico Will Traynor.
Inicialmente a relação dos dois não é nada fácil, pois para Lou é díficil suportar um homem tão ácido e com uma visão tão negativa de tudo. Will é sempre frio, calado e distante, quando é obrigado a falar com Lou é sempre para soltar uma crítica ou grosseria - na prática, ele remoe todos os dias o ódio por seu estado de saúde que impõe limitações que vão muito além de não poder se movimentar sem ajuda.
A situação começa a mudar quando a ex-noiva de Will vai visitá-lo, para contar que irá se casar com o melhor amigo dele. A torta de climão é pesada e Louisa acaba "comprando" o lado do patrão - apesar de ser claro que ele afastou a noiva e o antigo melhor amigo, que não haviam desistido dele.
Outro ponto chave da narrativa é quando a irmã caçula de Will vem visitá-lo; meio que sem querer a protagonista descobre o porquê de seu contrato durar seis meses: Will pretende praticar suicídio assistido (leia-se eutanásia) em uma clínica particular na Suíça - para os desinformados, a clínica existe (cidadãos suíços tem direito ao serviço de graça). Diante dos pedidos dos pais, ele concorda em refletir durante seis meses se gostaria mesmo de fazer isso; por outro lado os pais não iriam interferir em sua decisão, ou tentaria suicídio (de novo).
A primeira reação de Lou é pedir demissão, mas sua irmã Treena a convence de um plano: tentar mostrar a Will coisas boa da vida e que não necessariamente ele tinha que morrer. Ser tetraplégico não é necessariamente o fim de tudo, poderia ser o começo de algo novo.
Assim Lou apresenta à família Traynor seu plano para convencer Will a viver, inicialmente as coisas não dão certo mas pouco a pouco a relação de Will e Lou se torna mais forte, eles vão tendo experiências cada vez mais intensas (como fazer uma tatuagem, provar vinhos caros, viajar) e vai assumindo um caráter cada vez mais diferente... Até Lou contestar se realmente ama Patrick, seu namorado.
Uma das melhores cenas é o Will provocando Patrick em um jantar na casa de Lou:
"- Bom, você é um cara de sorte - disse Will, quando Nathan empurrou a cadeira de rodas para fora. - Ela sabe dar um bom banho de gato.- Disse isso tão rápido que a porta se fechou antes que Patrick entendesse o que ele tinha dito." (p.164)
Tem como não apreciar um cara tão do mal quanto ele? rs
A autora traz temas bem delicados no livro, eutanásia é o mais óbvio de todos. Na narrativa há diversos pontos de vista, Will o tetraplégico que quer morrer; Lou, a pessoa que não aceita a ideia de alguém querer morrer (podemos obrigar alguém a viver?); Camilla (a mãe de Will), que é religiosa e não consegue aceitar que seu filho quer morrer.
Além disso tem o embate dos Traynor, que no fundo não sabem o que fazer/sentir com relação a Will. O casamento dos pais dele é uma farsa e estava prestes a ruir totalmente quando ocorre o acidente e o simpático (e mulherengo) sr. Traynor se vê preso numa união que não quer mais; a irmã de Will o inveja e detesta, mas não pode demonstrar isso para não pagar de malvada.
As relações familiares dos Clark também não são fáceis. A família tem um claro desprezo por Lou que é sempre humilhada, chamada de burra e tola; enquanto que Treena é inteligente, mais bonita e cheia de sucesso - mesmo com um filho nas costas que é sustentado e cuidado pelos avós. Dessa forma o ego da irmã cresce e sempre acusa Lou de egoísta quando defende seus interesses e não perde a chance de ser ácida e manipuladora.
Outro tema que está no livro é o abuso sexual... Lou já foi um jovem chamativa, elegante e inteligente; mas depois de ser abusada e acusada (nas entrelinhas) de ter procurado o problema, mudou totalmente. Passou a esconder suas boas qualidades e aceitou para si uma vida patética, um relacionamento patético e uma aparência bizarra como formas de "proteção". Eu não sou de chorar em livro, mas chorei no trecho em que a Lou conta sua história para Will... Pena que esse trecho se perde no filme, tornando a personagem bem mais simplória.
Minha avaliação é que esse é um belo livro, com uma história bonita, delicada e não clichê (lembrei da narrativa do John Green em A Culpa é das Estrelas, para ser sincera). Mas se você já está deprê... NÃO LEIA! kkk
Obs: Fiquei beeeeem desanimada de ler Depois de Você pelo que vi as resenhas, a Louisa me decepcionou. E também acho que o livro perde a leveza sem Will.

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