Ela à imagem dele (Francine Veríssimo Walsh)

Tenho andado numa vibe de ler livros voltados às mulheres… Nessa pegada já li Como ter o coração de Maria no mundo de Marta, Feminilidade Radical e recentemente li Igrejas que calam mulheres. E o prefácio deste é exatamente escrito por Francine Veríssimo Walsh, sendo que esta obra é recomendada por Yago Martins justamente por trazer alguns temas abordados em seu livro de uma forma mais íntima - uma mulher falando para outras mulheres.
Foi assim que o livro saiu da minha lista de recomendações do Kindle Unlimited para minha biblioteca. E esse aqui entrou na minha lista de obras que quero ter físico para poder reler, marcar, anotar e emprestar… Uma obra bem importante para mulheres cristãs conhecerem.
A autora aborda temas bem espinhosos considerando o ser mulher e cristã no mundo atual: relação cristianismo-feminismo, trabalho, maternidade, violência, sexualidade… Muitos temas que infelizmente vemos cristãos lançando para debaixo do tapete ou trazendo abordagens bem parciais sobre o tema - hora sendo extremamente conservadores, ora progressistas demais e, via de regra, anti-bíblicos.
Obviamente não tenho espaço aqui para detalhar item a item os temas abordados mas vou elencar alguns aqui:
A mulher não foi criada inferior ao homem: ela discute o termo “ajudadora” presente em Gênesis apontando como no hebraico o termo carrega o sentido profundo de que a mulher era necessária ao homem no cumprimento de sua missão dentro da criação. Achei interessante que ela aponta outros lugares usam o mesmo termo para falar do papel de Deus ajudando Israel;
O feminismo não é necessário se nós aplicarmos aquilo que a Palavra de Deus fala sobre homens e mulheres: as grandes lutas do movimento surgem exatamente quando aquilo que o Senhor fala é abandonado em prol do desejo de poder humano; inclusive ela trás uma visão madura apontando que várias pautas do movimento foram válidas mas que as novas ondas do feminismo fazem clara oposição à vontade de Deus.
Feminilidade exclusiva: aqui ela combate o ideal abraçado por muitas mulheres cristãs, de que ser mulher é dedicar-se exclusivamente ao lar, usar vestidos e colocar mesa posta. Francine apresenta porque essa visão é prejudicial às mulheres de Deus e onde nosso valor realmente está - não é no mercado de trabalho, nem na dedicação exclusiva ao lar, mas em Deus.
Pontos de confronto entre a visão secular e cristã sobre a mulher: ela traz temas que quem está ligado já viu o movimento feminista atacando a igreja, como submissão feminina, importância da maternidade, sexualidade feminina.
Violência: enquanto o livro do Pr. Yago começa com esse tema, aqui ele é um dos últimos. A autora desfaz o mundo arco-íris de muitos falando sobre o abuso no meio cristão e a postura da igreja (coletivo) e mesmo dos cristãos (individual) diante dessas situações.
A linguagem do livro é simples e o tom é o de que estamos participando de uma conversa. Gostei que ela não esconde temas espinhosos, que existem coisas que não podemos entender/conhecer plenamente - porque ocorrem abusos, p ex. Para mim é uma visão madura, saber que há muita coisa que não somos capazes de entender mas que obedecemos porque seguimos um Deus de amor que sabe o que é melhor para nós - além de evitar uma ginástica intelectual que muito autor faz quando um tema não cabe exatamente no molde que eles desejam.
Gostei também que, dado o título do livro, ela traça um paralelo entre as características de Deus que estão em nós - p. ex. o capítulo referente à maternidade é “O Deus de vida e a maternidade”. Parece bobagem, mas frisa a ideia que somos tão imagem de Deus quanto os homens.
Talvez você esteja se questionando sobre a necessidade de uma obra desse tipo ou porque é tão importante frisar que as mulheres possuem valor diante de Deus, que não somos menos valorosas/importantes/fiéis que os homens.
Eu cresci em um meio extremamente conservador, aprendendo que a culpa do pecado era de Eva, que mulher não podia pastorear porque ela é facilmente enganada por doutrinas estranhas e que submissão feminina era obediência silenciosa e cega. Essas ideias ainda circulam por aí, talvez com novas roupagens, porém com a mesma essência quando mulheres são privadas de exercer papéis ou ocupar espaços que a Bíblia não as proíbe, quando são menos remuneradas, quando a igreja não as ampara mediante violência doméstica.
Porém as pessoas amam, como dizia um professor meu, “jogar a água fora com o bebê dentro”. Assim ocorre em alguns lugares o domínio da visão progressista, que apresenta um Evangelho sem arrependimento, adoçado para os tempos de hoje - sexualidade exercida fora do contexto correto (aqui muitos “conservadores” são bem modernos), pautas feministas abraçadas sem o mínimo de sabedoria (aqui vou ser clara: aborto, pintar a imagem do homem como inimigo da mulher e outros temas não são ideias cristãs), padrões seculares de sucesso e bem-estar.
Então livros como este são muitos necessários para tempos de polarização e performance como os que temos vivido, onde o caber numa forma e ter aparência de bondade são mais importantes que viver Cristo e se parecer a cada dia mais com Ele.
Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade. E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito. (2 Co 3:17, 18)

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