O despertar - Nora Roberts
Esse é meu primeiro livro da Nora Roberts... Estava procurando algo pra ler e queria uma fantasia cuja história não fosse tão bobinha, mas também não tão denso. Acabei de terminar A Espada do Destino, que é parte da série The Witcher, que se trata de alta fantasia e por isso é uma leitura mais densa - ainda que o tom mais "debochado" torne o livro mais light que Tolkien.
Há um tempo atrás eu seguia um perfil no Instagram onde se fazia uma análise de alguns romances modernos e comentários sobre as chamadas tropes literárias, comparando com obras clássicas da literatura universal. Lembro que havia muita crítica às protagonistas ruivas, às mulheres sensíveis que ficavam vermelhas de vergonha e aos conflitos de casal que não são conflitos... Descobri sobre quem eram as críticas kkkk
De fato Nora Roberts tem uns maneirismos que me incomodaram um pouco, principalmente porque se você já viu alguém falando, sabe que não é exclusividade daquela obra. Porém achei a escrita dela criativa, leve e capaz de criar uma história que prende o leitor - tanto que escrevo esse texto aqui logo depois de ter lido a continuação, A Transformação.
Aqui a autora nos apresenta Breen Kelly, uma professora que acabou de terminar um relacionamento amoroso e tem sérios problemas para lidar com sua mãe, Jennifer Wilcox. Enquanto Breen é uma jovem quieta, que procura nunca chamar a atenção com roupas discretas (de senhorinha rs) e pintando seus cabelos ruivos de castanho; sua mãe é uma bela executiva de sucesso, diretora de mídia bem famosa, que vive com um belo conforto financeiro.
Kelly faz de tudo pra pagar suas contas e mora no bairro gay de sua cidade com o melhor amigo, Marco Olsen, homossexual assumido que trabalha de garçom em um bar LGBT de propriedade do casal Sally e Derrick.
Um belo dia Breen vai cuidar da casa de sua mãe durante uma de suas várias viagens e acaba "acidentalmente" descobrindo um segredo, seu pai, que havia abandonado a família há anos, enviava uma gorda quantia de dinheiro a partir do Banco da Irlanda para ela mensalmente. Sua mãe sempre escondeu esse fato e administrava sozinha uma pequena fortuna em nome da garota, ainda que nunca tivesse ela própria usufruído o dinheiro, a garota se desdobrava em empregos ruins para manter-se e pagar a faculdade - uma CLT lascada kkk.
Obviamente Breen vai atrás de descobrir a verdade e resolve viajar para Irlanda, junto com Marco, para tentar encontrar seu pai e entender os motivos que o levaram a abandonar a família há tantos anos e porque enviava o dinheiro mensalmente sem nunca entrar em contato com a filha.
Aqui tem uma parte que acho muito legal do livro, que é essa viagem de Breen e Marco, além da amizade entre eles e da relação com Eian, pai da protagonista. Inicialmente também não há um interesse em pintar a mãe dela como uma vilã, mas sim como uma mulher atemorizada e que estava fugindo de algumas situações que a família havia passado - é dito por exemplo, que ela apoiou Marco quando ele se assumiu e foi desprezado pela família.
Em certo ponto da história Breen acaba descobrindo a verdade: seu pai era oriundo de um mundo mágico, Talamh, onde vivem fadas, elfos, trolls e todas criaturas mágicas que você pensar. Sua própria mãe havia morado lá um tempo e a garota nasceu lá, tendo vindo para o nosso mundo após sofrer um sequestro que foi o que levou o casamento de seus pais a uma crise séria e ao fim.
Acho que não preciso falar que Breen é especial né?! Ela tem sangue de todas raças que vivem ali, inclusive de deuses, o que nos leva ao vilão da trilogia: Odran, avô da protagonista, um deus caído que deseja beber o poder que a protagonista acumula dentro de si a fim de dominar todos mundos conhecidos.
Aqui nesse livro vemos Breen despertar seus poderes com a ajuda de sua avó paterna e de Keegan, o líder local. Um ponto positivo é que, ainda que obviamente ela seja extremamente especial, seu treinamento não rola em uma semana e tampouco se torna uma super guerreira sendo que, mesmo no segundo livro da série, ela ainda é uma guerreira mediana e uma bruxa que desconhece a extensão de seus poderes.
Existe romance? Claro que sim... Conforme esperado Breen e Keegan formam um casal, apesar de uma resistência inicial devido uma antipatia que Keegan tem por Breen, pois a acusa de ter abandonado a terra, de amar demais o mundo "real" e ser fraca demais para a missão que tem diante de si. O conflito convence um total de zero pessoas e dá até uma raiva do taoiseach (nome do cargo de liderança), uma vez que dada a história que nos é contada faz todo sentido as coisas terem acontecido do jeito que aconteceram - Breen crescer no nosso mundo, esquecer a magia, não saber lutar.
Através da história a autora fala um pouco sobre as relações familiares, como elas moldam quem somos e o que queremos; Breen Kelly se transforma ao entrar em contato com a família e amigos de seu pai, tornando-se mais corajosa e segura. Gostei que a protagonista se torna uma pessoa forte, capaz de resistir a tentativas de apelo emocional - fico irritada com heroínas poderosas que são derrubadas por um papo "anti-coach", felizmente Kelly aprende rapidamente a lidar com esse tipo de pressão.
Também há uma pincelada nas nossas relações com a tecnologia, pois a vida em Talamh é igual a Europa rural antiga... Sociedade agropecuária, sem tecnologia (é dito que eles escolheram abdicar da tecnologia em prol da magia), sem eletricidade, chuveiros ou outras regalias da nossa era. Então há, principalmente no início, uma discussão sobre como nossa sociedade tecnológica nos torna apressados e ansiosos.
Demora um pouco, mas por que ter pressa no dia? Só pra chegar o próximo? (p. 225)
Aí nesse ponto me pegou um pouco, pois tenho refletido muito sobre essa questão... De como vivemos ansiosos e tensos, enquanto estamos sempre presos em redes sociais - tanto que estou tentando reduzir o tempo online e estou usando temporizador no Facebook e Instagram.
E outro ponto, que está diretamente ligado a existência deste texto, é a escrita. Quando Breen decide fazer sua viagem transformadora é estimulada por Marco a escrever sobre sua jornada, através de um blog... Aí lembrei que tinha esse blog aqui e que nunca mais havia escrito nada nele.
Então pensei "por que não?!" e me lancei a escrita de novo... Se alguém está lendo? Acredito que não, o Blogger não é mais uma plataforma em alta. Mas o importante é falar escrever, né?!
Agradeço sua leitura e peço que escrevam aqui se conhecem a autora, que livros dela você leu.


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