A Última Carta de Amor - Jojo Moyes

Posso dizer que Jojo entrou para o meu “panteão de autores”, aqueles que já li mais de um livro, gostei e quero mais. Já havia lido “Como eu era antes de você” e amei a escrita delicada, que consegue trazer temas difíceis sem ser maçante ou querer dar lição de moral em alguém.
Ganhei esse livro de presente de aniversário da minha amiga e fui lendo aos poucos para poder digerir melhor a história – só no finalzinho fiz “maratona” porque queria muito saber o final (rs). Claro que também havia o receio (confirmado) de que a história seria triste e quis ir com calma – demorei uns meses para superar o final de “Como eu era antes de você”, e olha que eu já sabia o fim de Will.
A narrativa se passa em dois tempos distintos, o presente e a década de 60; no presente conhecemos Ellie Haworth, que trabalha como jornalista no Nation; sua missão é escrever uma reportagem especial para comemorar a mudança de endereço da redação. Enquanto busca artigos antigos nos arquivos do jornal acaba encontrando uma carta de amor perdida em meio ao que parecem exames médicos, a carta havia sido escrita a uma mulher casada não identificada e era assinada apenas por B..
Além de sentir o cheiro de uma boa reportagem (decide descobrir quem eram os amantes) a história também a toca por um motivo: Ellie é amante de um homem casado, o belo (rico) e charmoso John, um escritor que conheceu duranteuma reportagem. Encontrar o destino dos amantes podia ser uma mensagem de esperança (ou não) para seu coração.
Após um breve prólogo onde conhecemos Ellie, somos transportados para 1960. Uma mulher desperta em um leito de hospital, seu nome é Jennifer Stirling (Jenny) e está sem memória; fica sabendo que sobreviveu a um acidente de carro, é casada com Laurence Stirling (Larry), rica e admirada por todos a sua volta.
Quando sai do hospital, tenta voltar a sua antiga vida ao lado do esposo, tendo como compromisso mais cansativo do dia ir a coqueteis e festinhas de amigos. Mas algo parece estar faltando e Jennifer não sabe o que é… Depois de uma noite desastrosa com o marido (ele percebe que ela aceitava fazer sexo com ele por obrigação) descobre algo dentro de um livro: uma carta para ela, de um amante.
“Mas, ao chegar ao meu quarto no sábado, você estava maravilhosa naquele vestido. E aí você me pediu para desabotoar aquele botão nas suas costas. E, quando meus dedos encostaram na sua pele, percebi naquele momento que fazer amor com você seria um desastra para nós dois.” (p.78)
Acompanhamos então a história da sra. Stirling e Anthony O’Hare (que ela apelida de Boot), com seus encontros, desencontros e as consequências (que já adianto serem infelizes) do seu caso de amor. Tudo com uma aura de luxo e rigor que me lembrou “Mad Men” – o comentário na contracapa é fato.
Quando li que era uma história sobre amantes, já fiquei com um pé atrás… Não gosto quando ficam justificando algo que é errado – “ela traiu o marido porque ele era frio”, “ele era rebelde porque seus pais eram duros com ele” e esse tipo de justificativas que vemos em livros, filmes e séries aos montes; muito erro e pouca gente assumindo que aquilo não é correto.
Jojo Moyes traz uma história diferente, ninguém é um vilão e o erro não glamourizado… No final a própria Jennifer admite que a frieza deLarry era um produto de seu tempo, onde os homens eram educados para enterrarem suas emoções e que ela acabou ferindo seu coração.
“─Será que é errado – prosseguiu ele, tão baixo que a princípio ela não compreendeu bem o que ele dizia – um homem querer ser abraçado? Será que isso o torna menos homem?” (p.157)
Para mim o livro falou muito sobre consequências: tudo que fazemos gera um reflexo na nossa vida e é preciso maturidade para lidar com isso. Creio que Jennifer amadurece muito nesse sentido, Ellie nem tanto – seu grande impasse é assumir as consequências das suas escolhas profissionais e pessoais.
“Não dá para escolher se você vai ou não vai se ferir neste mundo, meu velho, mas é possível escolher quem vai feri-lo. Eu aceito as minhas escolhas. Espero que Hazel aceita as dela.”

(John Green, A Culpa é das Estrelas, p.283)

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