Fundação e Império - Isaac Asimov
Faz algum tempo que li Fundação, o primeiro livro dessa trilogia que nos apresenta a história da organização de mesmo nome, que teria como função impedir que a galáxia mergulhe no caos e desordem após a queda do Império Galático - conforme previsto por Hari Seldon com sua psico-história, uma ciência que permitiria perver o futuro de grandes massas de indivíduos. Estava ansiosa por ler as sequências...
O livro se divide em suas partes, O General e O Mulo; referindo-se aos dois novos inimigos da Fundação: Bel Riose, um general do Império; Mulo, um mutante cheio de mistérios, que conduz a narrativa para o coração do Império, ou do que restou dele, Trantor.
Riose se destaca como um general brilhante em um Império que agoniza, aqui já vemos uma nação afundada em corrupção, troca de favores e bajulação o imperador. Se antes suas fronteiras eram a própria galáxia, agora está reduzido a porção central da mesma - contudo ainda rico e poderoso.
O jovem general identifica um risco na Fundação (descrita a ele como uma sociedade de mágicos) e resolve investigar mais de perto, com a ajuda de um homem de Siwenna - o planeta aparece em Fundação como uma província decadente do Império. Ducem Barr é um revolucionário e seu pai havia visto pessoalmente um homem da Fundação (Mallow) e visto seu poder e tecnologia superiores.
Riose resolve ir até a Terminus disfarçado de comerciante, para obter informações e acaba adquirindo uma nave e aprendendo muito sobre aqueles homens - o suficiente para atacá-los. Barr avisa que seria impossível vencer a Fundação devido a psico-história de Seldon, sendo ignorado pelo militar.
Após seu retorno, inicia seu plano de ataque; contudo ele sabe que a Fundação é poderosa e pede auxílio ao Imperador. O homem, que está muito doente, sabe dos riscos de um general de sucesso - vários imperadores antes dele haviam sido traídos - e pede que seu secretário pessoal, Brodig, vá ser segundo comandante para controlar Riose.
Com a guerra iniciada somos apresentados a Devers, um comerciante que pertence a (planejada) Associação dos Comerciantes Independentes - há uma queixa que os comerciantes perderam seu pulso firme e astúcia demonstrados no final de Fundação com Mallow. Lathan Devers foi capturado por Riose a fim de obter informações sobre a Fundação, contudo o comerciante se revela muito reticente e até mercenário com relação ao destino de seu planeta.
Após um tempo, e contatos nada agradáveis com Brodig, Devers se alia a Barr (que odiava o Império que havia levado sua família a ruína) e consegue fugir da base de Riose com um segredo: uma mensagem de Brodig a Riose que, se adequadamente interpretada, podia levar o imperador a crer que era traído.
Os fugitivos seguem em disparada até Trantor... Gostei desse trecho porque o planeta-capital mal aparece no primeiro livro e eu havia ficado curiosa. Além de mostrar a corrupção e o caos gerado pela super lotação de um único planeta, também é possível notar o declínio tecnológico do Império - a doença do imperado Cleon não é diagnosticada e os médicos só usam livros antigos, o que sugere que o conhecimento antigo era superior ao presente no Império.
Chegando lá não alcançam sucesso na entrega da mensagem, não sendo capturados por pouco. Contudo Riose e Brodig são acusados de traição do mesmo jeito e são chamados à capital - na segunda parte sabemos que Riose foi morto.
De volta a Terminus, Devers e Barr comemoram a vitória junto com os príncipes comerciantes. Siwenna adere à Fundação e Ducem diz que o próximo perigo não devia vir de uma guerra com o Império decadente, mas sim de uma guerra civil.
Em "O Mulo" somos apresentados a um jovem casal de recém casados, Toran e Bayta. Toran é originário de Refúgio, um mundo comercial independente - eles estão ligados a Associação dos Comerciantes Independentes, de Devers - e está levando sua esposa Bayta para sua família conhecer. Não é hábito dos comerciantes casarem e há uma rivalidade constante dos independentes contra a Fundação, de onde Bayta é originária.
Na verdade há um governo central extremamente centralizador, controlado pelo Prefeito (que não é mais eleito). Os mundos independentes são considerados rebeldes e não se mede o uso de força física contra eles; além da tradicional prática de impostos abusivos por parte da Fundação - que pouco faz pela economia ou sua segurança além de onerar os mundos sob seu domínio.
Diante dessa Fundação tão fraca, surge um novo inimigo, o Mulo. Sem saber exatamente como, ele havia capturado Kalgan - um mundo voltado ao luxo e ao prazer (paraíso fiscal do futuro? rs). O Mulo venceu o senhor da guerra do planeta e era um inimigo potencial à Fundação - o que Han Pritcher, um militar membro do serviço de inteligência percebeu e tentou (em vão) alertar seus superiores.
Pritcher, Toran e Bayta se encontram em Kalgan, para onde todos se dirigiram buscando maiores informações do Mulo - seja para evitar um ataque a Fundação ou para usá-lo como aliado contra a Fundação. O máximo que encontram é o frágil e medroso palhaço do mutante, Magnífico.
Junto com o palhaço, fogem para a Fundação - que descobrem no caminho já ser alvo do Mulo. Após um tempo de prisão, Toran, Bayta e Magnífico vão até Ebling Mis - um psicólogo que prevê uma crise Seldon devido o ataque do Mulo.
O Mulo acaba vencendo a Fundação, no mesmo dia em que o Cofre do Tempo se abriu e todos descobriram que Seldon não havia previsto o ataque do Mulo, mas sim uma guerra civil entre a Fundação e os mundos independentes - o conflito estava planejado mas não ocorreu devido o esforço para vencer o Mulo. Logo Terminus se desfaz em caos, pavor e gritaria; com Toran, Bayta, Mis e Magnífico partindo para Refúgio.
Refúgio resiste por meses, mesmo imerso numa atmosfera cheia de desgosto e tristeza; então Randu (tio de Toran e líder do Refúgio) envia o grupo até Trantor, onde deviam procurar a Segunda Fundação, ela seria a única esperança de sucesso contra o Mulo.
O grupo parte então para a nova capital do Império, Neotrantor. Trantor havia sido saqueada gerações antes, sendo que a população sobrevivente e o imperador fugiram para Neotrantor, um planeta que orbitava uma estrela próxima a de Trantor - o poderoso Império apresentado anteriormente se resumia a um conjunto de 20 planetas agrícolas e já não tinha nada do poder e glória mostrado anteriormente.
Em Neotrantor enfrentam o princípe, que desejava o trono e queria entregar Toran, Mis e Magnífico para Mulo enquanto ficaria com Bayta para si. Então Magnífico, com seu visi-sonor (um instrumento de música peculiar, que estimula o cérebro para gerar um efeito de sinestesia) consegue matar o príncipe e enlouquecer seu amigo.
O grupo foge, com uma autorização do imperador para explorar a biblioteca de Trantor. Chegando ao planeta não encontramos a super população, o comércio e glória de antes; mas sim um planeta agrícola, onde o metal das construções estava sendo vendido para a obtenção de mais terras agricultáveis - agora o poder pertencia aos grandes proprietários de terra, um feudalismo galático.
Chegando lá, Mis passa a definhar enquanto busca incessantemente a localização, características e propósitos da Segunda Fundação - nesse ponto ele (e um Pritcher transformado) revela que o poder de Mulo é manipular as emoções, o que explica o derrotismo e pânico em Terminus e Refúgio.
Bayta, já apresentada como uma mulher decidia e mal humaroda, apresenta uma desconfiança cada vez maior com relação a todos. Quando Mis finalmente pretende revelar a localização da Segunda Fundação, ela o mata e revela: Magnífico não é o palhaço do Mulo, mas o próprio Mulo disfarçado.
O livro encerra com Mulo contando sua história e se declarando apaixonado por Bayta - por isso não inspecionou a mente dela e não descobriu a desconfiança dela.
Um ponto que gostei nesse livro foi a presença de uma personagem feminina, contra o conjunto de homens do livro anterior - encarei isso como um produto do tempo do autor, bem mais machista que hoje.
Também gostei da evolução (ou queda) do Império, Não são mostradas guerras ou batalhas, são notas de rodapé: um mundo agrícola, um rei-ditador já morto; antes, a falta de conhecimento e técnica, a atmosfera cheia de traições na corte.
E os saltos no tempo de Asimov me continuam agradáveis... Fica aquela sensação de "por que Devers morreu como escravo?", "como foi que os Indur deram um golpe para chegar no poder?".
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