Às séries (ainda) não terminadas
Confesso que não sou muito de ler séries, nunca li Harry Potter (apesar de uma leve curiosidade, prefiro quando muito ver os filmes) nem Percy Jackson... Sempre cultivei o hábito de ler vários livros de um mesmo autor, por isso já li vários de Italo Calvino, Arthur C. Doyle (ainda tenho que postar algum texto sobre Sherlock Holmes aqui), C. S. Lewis.
Atualmente estou me dedicando à leitura do segundo livro da Trilogia Millennium, A Menina que Brincava com Fogo... Então parando para pensar nas minhas leituras reparei um fato: esse trilogia não é a única série que está "enroscada" na minha lista de leituras. Por isso dedico essa postagem justamente a esse tema: às séries ainda não terminadas.
1) Trilogia Millennium (Stieg Larsson)
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| Cartaz de "Os homens que não amavam as mulheres". Lembro que na época houve algumas críticas, pois havia o filme sueco lançado há pouco tempo e muita gente não via o Craig no papel de Blomkvist |
A trilogia é formada por: "Os Homens que Não Amavam as Mulheres", "A Menina que Brincava com Fogo" e "A Rainha do Castelo do Ar". São três livros graúdos e pesados de se ler sob vários aspectos; tive contato a primeira vez com a história através dos jornais, quando houve o lançamento do filme referente ao primeiro livro com o Daniel Craig no papel principal - já havia uma versão cinematográfica sueca.
Larsson traz através do livro discussão sobre vários temas espinhosos e de uma maneira crua, sem rodeios. Ele discute sobre a violência contra mulheres (em suas diversas formas), extrema direita, misoginia e homossexualismo; o que "choca" nas obras é que ele acaba tirando a máscara perfeição que seu país usa, mostrando que a Suécia não é o paraíso pregado para o mundo. Eles também têm mazelas tão doloridas quanto outros países, talvez tenha apenas talento em escondê-las sob um véu de dignidade.
Na trilogia acompanhamos a dupla Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander. Ele um jornalista investigativo, que no início do primeiro livro está em maus lençóis sendo acusado de difamação contra um industrial; ela é uma hacker de talento, portadora de Síndrome de Aspenger (uma forma de autismo), solitária e cheia de mistérios em seu passado.
Um problema que tenho com a leitura da série é justamente o fato de que o autor acaba citando fatos e lugares que talvez soem muito comuns aos ouvidos suecos (ou europeus) mas que não são tão conhecidos para quem está fora da realidade dele. Mas nada que realmente prejudique a narrativa inteligente e eletrizante de Larsson.
2) Trilogia Cósmica (C.S. Lewis)
Quem me conhece sabe que sou fã do Lewis e gosto demais dos livros dele... Aqui temos outra série do autor do super conhecido de As Crônicas de Nárnia. A série é formada por "Além do Planeta Silencioso", "Perelandra" e "Uma Força Medonha", até agora só tive a oportunidade de ler o primeiro livro da série - mas já foi o suficiente para deixar um gostinho de quero mais.
Enquanto em As Crônicas de Nárnia vemos um grupo de crianças indo até um universo paralelo cheio de magia, aqui temos um cientista indo até outros planetas do nosso sistema solar. A série se inicia com o dr. Elwin Ransom (uma homenagem do autor ao amigo Tolkien) sendo capturado por alguns cientistas malignos e levado até um planeta chamado Malacandra, a intenção dos malandros era oferece-lo em sacrifício para uma espécie de divindade local. O plano não dá certo e a personagem começa a viver com os habitantes do planeta, aprendendo sobre seu sistema social e sobre os seres luminosos que parecem deuses e que regem o local.
O autor gosta muito de usar imagens religiosas em seus livros, falando indiretamente (ou não tão diretamente) sobre salvação, fé e Deus. Aqui também temos um pouco disso, mas eu pelo menos achei mais sutil que Nárnia; aqui temos a imagem de um criador que tem vários servos, mas que um deles se rebela gerando problemas - que não são colocados de forma tão clara no primeiro livro, pelo menos.
Comparando com Nárnia, achei a obra um pouco mais lenta mas, pela leitura inicial, inda creio que poderei me deparar com uma história mais complexa também.
3) Trilogia Comando Sul (Jeff Vandermeer)
Não faz muito tempo que coloquei minhas (ótimas) impressões de leitura aqui sobre o primeiro livro da série, "Aniquilação". Além desses tem "Autoridade" e "Aceitação", que ainda não tive a chance de comprar para ler.
Os livros contam sobre a misteriosa Área X, onde coisas muito estranhas acontecem; o Comando Sul referido no título da trilogia tenta controlar e entender o que está por detrás desse fenômeno, mas é uma organização envolta em um bruma de mistérios tão densa quanto a própria Área X.
O primeiro livro é escrito na forma de diário e chega ser um pouco claustrofóbico, eu me senti presa na Área X junto com a bióloga vendo tudo de estranho que havia ali. O autor trabalha bem com a ideia de imergir o leitor na história e algo grande, complexo e que não pode ser detido. Enfim, uma leitura aprovada! rs
4) Trilogia Liev Demidov (Tom Rob Smith)
Outra trilogia com temática policial, assim como a Millennium; aqui são três livros contando histórias sobre Liev Demidov, um agente do governo soviético vivendo em plena Guerra Fria - a história do primeiro livro é ambientada no período do stalinismo justamente.
No primeiro livro, Criança 44, conhecemos Liev e sua esposa Raissa: ele agente da MGB (polícia secreta soviética) e ela professora. Através da vida do casal vemos muito sobre como se organizava a sociedade dentro da URSS, os sistemas de privilégios e as crenças pessoais dos cidadãos - versus o que o Estado queria que fossem essas crenças.
A história acompanha a investigação de Demidov sobre um assassino em série de crianças. O problema é que o Estado nega que haja assassinos em meio a sociedade altamente evoluída formada pelo comunismo e por isso Demidov tem vários problemas para resolver o mistério; em paralelo ainda enfrenta problemas no casamento e começa a se desvanecer em sua mente a ideia de que de fato a Rússia atingiu um estado tão evoluído com o comunismo.
A sequência da história é O Discurso Secreto, onde Liev e sua esposa têm que enfrentar problemas familiares (que não dá para explicar sem dar spoliers sobre Criança 44) e o pano de fundo histórico dessa vez é o fim do stalinismo e a "limpeza" de suas marcas da URSS. Também há uma ênfase sobre a Primavera de Praga, onde Liev e Raissa acabam se envolvendo de maneira profunda.
O último livro da série, é Agente 6... Ainda não tive a oportunidade de ler, mas confesso que assim como O Discurso Secreto tem críticas bem divididas entre os que amaram e os que se decepcionaram com a trama. De fato, considerando Criança 44 e O Discurso, temos em Criança uma narrativa bem mais ágil e confesso que fiquei decepcionada pois a continuação da história não é a que o final da trama de Criança 44 sugere - que seria algo relacionado à filha do assassino.
5) Fundação (Issac Asimov)
Descobri essa série quando o face jogou para mim uma publicação em que se falava sobre o lançamento de uma nova edição da série em português (fazia um bom tempo que não lançavam) e falava sobre obras de ficção científica novas e antigas.
Essa série é formada por uma primeira trilogia com Fundação, Fundação e Império, Segunda Fundação; a segunda parte é composta por quatro livros e que são prequels ou complementos da trilogia, são Prelúdio à Fundação, Origens da Fundação (que se passam antes de Fundação), Limites da Fundação, Fundação e Terra (que se passam após a trilogia).
Assim como Nárnia, há mais de uma forma de se ler a série; ela pode ser lida em ordem cronológica, onde acompanhamos a ordem dos eventos ou na ordem de publicação - onde você veria as personagens e temáticas serem abordadas na ordem que o autor expôs ao leitor.
A série conta a história da Fundação, uma sociedade de cientistas que surge devido a intervenção de Hari Seldon, ele é um matemático que desenvolveu uma ciência chamada psicohistória, qual permite prever o futuro de grupos de pessoas. Seldon previu que o poderoso Império Galático entraria em colapso dando origem a um longo período de caos e desordem na Galáxia (já totalmente dominada pelo homem), esse período poderia ser abreviado se um grupo de cientistas compilasse o conhecimento em um Enciclopédia Galática; esses homens formam a Fundação.
Asimov narra um período de tempo muito grande em sua obra, é interessante que a cronologia de Fundação é alinhada a de outras séries do autor - ele também tem a série o Império Galático, dos Robôs (os filmes, "Eu Robô" e "O Homem Bicentenário" são inspirados na obra dele).

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