Fundação - Isaac Asimov
Ouvi falar a primeira vez de Asimov quando estava lendo sobre a publicação de clássicos da ficção científica, fiquei curiosa e fui pesquisar mais sobre o autor: logo estava consumindo uma noite procurando resenhas da obras dele e decidi que queria ler a Trilogia da Fundação.
A história de passa em um futuro distante, onde a humanidade domina plenamente as várias facetas da energia nuclear e a viagem no espaço - tanto que conseguiu estabelecer um Império que abrange toda a Galáxia e está sediado no super populoso planeta Trantor.
A obra está dividida em cinco partes: os psico-historiadores, os enciclopedistas, os prefeitos, os comerciantes, os príncipes mercadores. Apesar da história ser linear, há um "gap" de tempo entre cada uma dessas partes e só se sabe o epílogos de algumas tensões pelo que é dito na parte seguinte.
Na primeira encontramos Gaal Dornick, um jovem matemático que vem de um planeta da periferia do Império participar da equipe de Hari Seldon. Seldon é um psico-historiador, através de um modelo matemático ele consegue prever o futuro de grandes contingentes populacionais e suas previsões apontam para o fim próximo do Império.
Claro que um imperador quer ouvir qualquer notícia, menos essa, por isso o cientista é perseguido e preso por ser considerado um traidor. Diante da possibilidade de enfrentar a morte, Seldon expõe seu "plano rebelde" ao imperador em troca de ser mantido vivo.
Ele propõe a formação de duas comunidades de cientistas (as Fundações) que deveriam manter o conhecimento científico que a humanidade obtivera até ali, para que esse não se perdesse com o fim (inevitável) do Império; para tal o grupo deveria se dedicar a agrupar o conhecimento e sistematizá-lo numa enciclopédia - a Enciclopédia Galática, cujas citações são a epígrafe de cada parte do livro.
Na segunda parte do livro, encontramos a Fundação estabelecida no planeta Terminus. Já se passaram 50 anos desde os eventos da primeira parte, mas o Império ainda não ruiu (apesar de sua deficiência óbvia) e há um impasse na Fundação... Seus membros estão sendo ameaçados pelos seus vizinhos, que haviam se rebelado contra o Império e conseguido independência. A sociedade que vemos é governada por cientistas, que mantem extrema lealdade ao Império (que os despreza) e que se devotam apenas a escrever o volume, que seria o "destino" deles (Asimov brinca muito com a ideia de um grupo ter um destino a ser cumprido).
Diante da ameaça de serem colonizados por Anacreon, eles se refugiam em soluções que são, na prática uma forma de protelar o problema... Apoiar-se na Império ou na ideia de que Seldon (que deixou uma mensagem a ser aberta nos 50 anos da Fundação) os salvaria.
Foi uma das partes que mais gostei, tanto pela discussão de que não basta acumular o conhecimento, mas que ele precisa evoluir ou morrerá; como também a relação cinetistas/sociedade onde os enciclopedistas não devem interferir nos assuntos de política por terem "objetivos mais elevados".
Aqui surge Salvor Hardin, que com uma mente não científica (havia recebido apenas parte da educação para ser psicólogo) tem a astúcia típica dos políticos e consegue reverter a péssima situação de Terminus em uma posição favorável aos membros da Fundação.
Na parte seguinte, encontramos Salvor muitos anos depois, estabelecido como Prefeito (título dos governantes dos planetas do Império) de Terminus. Agora a Fundação é uma pequena potência na região, apoiada no fascínio da radioatividade que é uma religião implantada nos planetas (Quatro Reinos) que mantêm relação com a Fundação.
Há uma nova crise, pois o Anacreon planeja novamente invadir Terminus - na verdade, dentro das complicadas relações dentro do reino o plano é estabelecer o seio do Segundo Império em Anacreaon. Novamente Hardin safa a Fundação de uma invasão usando o poder da religião criada e implantada por ele...
O interessante na história é o culto desenvolvido à ciência, cujo domínio está nas mãos de poucos esclarecidos - ou nem isso, já que os "sacerdotes" não sabem como a radioatividade funciona, apenas copiam o que foi ensinado a eles. Mas o culto a evolução tecnológica, energia e desenvolvimento não torna esse futuro tão distinto do nosso.
Nas duas últimas partes vemos a surgimento de uma nova força na Fundação: o comércio. A sociedade aqui está centrada no comércio de produtos que usam a radioatividade, desde facas até produtos de beleza; os comerciantes ajudam a expandir a Fundação levando seus produtos e a religião dela em seu bojo. Como a religião eleva Terminus ao nível de lugar sagrada, logo o poder local se vê impedido de qualquer represália contra a Fundação.
Enquanto na parte quatro vemos um países resistente ser controlado pelo comércio de Terminus, apesar da religião local (uma forma de resistência) abominar a radioatividade; na parte cinco vemos a ascensão do comércio como única forma de poder da Fundação, uma forma bem mais poderosa e sutil que a religião.
A história de passa em um futuro distante, onde a humanidade domina plenamente as várias facetas da energia nuclear e a viagem no espaço - tanto que conseguiu estabelecer um Império que abrange toda a Galáxia e está sediado no super populoso planeta Trantor.
A obra está dividida em cinco partes: os psico-historiadores, os enciclopedistas, os prefeitos, os comerciantes, os príncipes mercadores. Apesar da história ser linear, há um "gap" de tempo entre cada uma dessas partes e só se sabe o epílogos de algumas tensões pelo que é dito na parte seguinte.
Na primeira encontramos Gaal Dornick, um jovem matemático que vem de um planeta da periferia do Império participar da equipe de Hari Seldon. Seldon é um psico-historiador, através de um modelo matemático ele consegue prever o futuro de grandes contingentes populacionais e suas previsões apontam para o fim próximo do Império.
Claro que um imperador quer ouvir qualquer notícia, menos essa, por isso o cientista é perseguido e preso por ser considerado um traidor. Diante da possibilidade de enfrentar a morte, Seldon expõe seu "plano rebelde" ao imperador em troca de ser mantido vivo.
Ele propõe a formação de duas comunidades de cientistas (as Fundações) que deveriam manter o conhecimento científico que a humanidade obtivera até ali, para que esse não se perdesse com o fim (inevitável) do Império; para tal o grupo deveria se dedicar a agrupar o conhecimento e sistematizá-lo numa enciclopédia - a Enciclopédia Galática, cujas citações são a epígrafe de cada parte do livro.
Na segunda parte do livro, encontramos a Fundação estabelecida no planeta Terminus. Já se passaram 50 anos desde os eventos da primeira parte, mas o Império ainda não ruiu (apesar de sua deficiência óbvia) e há um impasse na Fundação... Seus membros estão sendo ameaçados pelos seus vizinhos, que haviam se rebelado contra o Império e conseguido independência. A sociedade que vemos é governada por cientistas, que mantem extrema lealdade ao Império (que os despreza) e que se devotam apenas a escrever o volume, que seria o "destino" deles (Asimov brinca muito com a ideia de um grupo ter um destino a ser cumprido).
Diante da ameaça de serem colonizados por Anacreon, eles se refugiam em soluções que são, na prática uma forma de protelar o problema... Apoiar-se na Império ou na ideia de que Seldon (que deixou uma mensagem a ser aberta nos 50 anos da Fundação) os salvaria.
Foi uma das partes que mais gostei, tanto pela discussão de que não basta acumular o conhecimento, mas que ele precisa evoluir ou morrerá; como também a relação cinetistas/sociedade onde os enciclopedistas não devem interferir nos assuntos de política por terem "objetivos mais elevados".
Aqui surge Salvor Hardin, que com uma mente não científica (havia recebido apenas parte da educação para ser psicólogo) tem a astúcia típica dos políticos e consegue reverter a péssima situação de Terminus em uma posição favorável aos membros da Fundação.
Na parte seguinte, encontramos Salvor muitos anos depois, estabelecido como Prefeito (título dos governantes dos planetas do Império) de Terminus. Agora a Fundação é uma pequena potência na região, apoiada no fascínio da radioatividade que é uma religião implantada nos planetas (Quatro Reinos) que mantêm relação com a Fundação.
Há uma nova crise, pois o Anacreon planeja novamente invadir Terminus - na verdade, dentro das complicadas relações dentro do reino o plano é estabelecer o seio do Segundo Império em Anacreaon. Novamente Hardin safa a Fundação de uma invasão usando o poder da religião criada e implantada por ele...
O interessante na história é o culto desenvolvido à ciência, cujo domínio está nas mãos de poucos esclarecidos - ou nem isso, já que os "sacerdotes" não sabem como a radioatividade funciona, apenas copiam o que foi ensinado a eles. Mas o culto a evolução tecnológica, energia e desenvolvimento não torna esse futuro tão distinto do nosso.
Nas duas últimas partes vemos a surgimento de uma nova força na Fundação: o comércio. A sociedade aqui está centrada no comércio de produtos que usam a radioatividade, desde facas até produtos de beleza; os comerciantes ajudam a expandir a Fundação levando seus produtos e a religião dela em seu bojo. Como a religião eleva Terminus ao nível de lugar sagrada, logo o poder local se vê impedido de qualquer represália contra a Fundação.
Enquanto na parte quatro vemos um países resistente ser controlado pelo comércio de Terminus, apesar da religião local (uma forma de resistência) abominar a radioatividade; na parte cinco vemos a ascensão do comércio como única forma de poder da Fundação, uma forma bem mais poderosa e sutil que a religião.
Achei interessante na obra a evolução da sociedade da Fundação, inicialmente composta por tímidos cientistas, até a forma de uma nação pujante comercialmente, capaz de realizar guerras contra aqueles que atravessam seu caminho.
O autor consegue trazer aqui discussões legais sobre o que é o conhecimento e sua evolução, como as dificuldades podem lapidar uma sociedade para melhor, a importância de o cientista não se "trancafiar" numa torre permanecendo alheio a sociedade à sua volta (vide Seldon, ou o comportamento de isolamento dos enciclopedistas).
Também vejo uma "decadência" daquela sociedade inicial, de cientistas e iguais, em direção a uma sociedade corrompida, desigual e cheia de intrigas e preconceitos. Creio que isso quebra a ilusão de que uma sociedade que tivesse em seu seio homens cultos e bem preparados não enfrentaria os problemas que temos.
O autor consegue trazer aqui discussões legais sobre o que é o conhecimento e sua evolução, como as dificuldades podem lapidar uma sociedade para melhor, a importância de o cientista não se "trancafiar" numa torre permanecendo alheio a sociedade à sua volta (vide Seldon, ou o comportamento de isolamento dos enciclopedistas).
Também vejo uma "decadência" daquela sociedade inicial, de cientistas e iguais, em direção a uma sociedade corrompida, desigual e cheia de intrigas e preconceitos. Creio que isso quebra a ilusão de que uma sociedade que tivesse em seu seio homens cultos e bem preparados não enfrentaria os problemas que temos.
Um ponto que me chamou a atenção (e incomodou) é a ausência de personagens femininos nessa história - como a população de Terminus se reproduzia? rs Claro que a obra é de um tempo onde não havia mulheres marcando a ciência ou participando de forma ativa da sociedade, mas a falta de "saias" na história me chamou a atenção.
Asimov não me decepcionou, gostei e quero ler mais dele... Um ponto que apreciei é sua formação acadêmica, pois era bioquímico. Suas obras tem o objetivo de uma divulgação da ciência, quando brincam com as possibilidades dos caminhos que a humanidade pode traçar - esse é um traço dos escritores de ficção científica de seu tempo.
Asimov não me decepcionou, gostei e quero ler mais dele... Um ponto que apreciei é sua formação acadêmica, pois era bioquímico. Suas obras tem o objetivo de uma divulgação da ciência, quando brincam com as possibilidades dos caminhos que a humanidade pode traçar - esse é um traço dos escritores de ficção científica de seu tempo.
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