Cidades de Papel - John Green

Meus caros, fazia muiiiito tempo que não lia um livro em um fim de semana, mas um misto de gripe, tédio e John Green conseguiu esse milagre (acho que essa é uma palavra chave nesse livro!). Eu já tinha lido esse autor, com a A Culpa é das Estrelas (o link é para a resenha aqui no blog :) ) e gostei muito do estilo dele - falando coisas sérias de uma maneira mais leve e divertida.
Somos apresentados a Quentin Jacobsen (ou simplesmente Q), o garoto é o narrador da história e é um menino inseguro, filho de um casal de psicólogos e que mora em Orlando (Disney!!!! kkk). Ele nutre uma paixão platônica por sua vizinha, Margo Roth Spielgman, a qual foi sua companheira de brincadeiras na infância mas depois eles seguiram caminhos diversos: Margo se tornou a garota mais popular da escola, e Q um dos "losers" (acho esse termo bobo, mas essa é a imagem que o autor passa mesmo).
O livro inicia com um prólogo, onde Quentin narra uma ocorrência de sua infância com Margo. Eles encontraram um homem que havia cometido suicídio no parquinho quando foram brincar; enquanto ele ficou com medo, Margo foi até o corpo observar melhor e ainda investigou (por conta própria) como o homem morreu e quem era ele. O ocorrido, para o narrador, é uma amostra da paixão da garota pelos mistérios, charadas... E, como ele diz, ela acabou se tornando uma.
No tempo presente, encontramos as personagens no final do ensino médio, naquela preocupação com faculdade, baile de formatura e colação de grau - algo bem High School Musical. Quentin está desinteressado por toda essa "etiqueta" e quer apenas levar consigo boas lembranças e curtir o pouco tempo com seus amigos, Radar e Ben - um é a imagem do nerd preocupado com tecnologia e cheio de conhecimentos sobre várias coisas (nem sempre úteis) e o outro é o garoto que se acha o sedutor mas na verdade é um fracasso com as mulheres.
A vida de Q muda em uma noite, quando Margo entra pela sua janela pedindo ajuda para se vingar do seu namorado, que a traía com sua melhor amiga (fura olho) Becca. O garoto inicialmente se nega, mas acaba cedendo à ideia de fazer algo com a garota por quem ele é apaixonado... O plano de vingança é simplesmente bizarro e inclue desde fazer os pais de Becca flagrarem ela com Jase, até estourar um peixe no carro da outra amiga de Margo, Lacey.
Contudo Margo desaparece após essa noite divertida com Quentin, "sem deixar rastros". Uso aspas porque quando o policial chamado pelos pais de Margo vem conversar com Q sobre o ocorrido, se explica que a menina sempre fugia de casa e deixava pistas que permitiam (ou deveriam) que ela fosse encontrada.
De posse dessa ideia Quentin inicia uma busca desesperada por sua amada, explorando livros e lugares em busca de sua charada, Margo Roth Spielgman.

Bem, o ritmo do livro é frenético... No começo eu li rápido porque os planos de Margo eram ótimos - a cena de Jase e Becca é hilária. Depois a vontade é de ver se Q encontrará Margo, e onde ela está.
Eu gosto do John Green - como diria a sua própria personagem, Hazel Grace, eu leria até a lista de compras dele. kkk O livro é divertido, leve mas também traz algumas discussões, como se não damos muita importância ao futuro e acabamos nos perdendo num ciclo de estudar-trabalhar-casar-ter filhos... Abaixo um trecho onde Margo fala sobre isso.
"Você sabia que na maior parte de toda história da humanidade a expectativa média de vida foi inferior a trinta anos?(...) Não havia planos. Não havia tempo para planejar. Não havia tempo para o futuro. Mas aí a expectativa de vida começou a aumentar, e as pessoas começaram a ter mais e mais futuro e a passar mais tempo pensando nele. No futuro. E agora a vida se tornou o futuro. Todos os momentos da vida são vividos no futuro: você frequenta a escola para entrar na faculdade para arrumar um bom emprego para comprar uma casa legal e mandar os filhos para a faculdade para que eles consigam arrumar um bom emprego para comprar uma casa legal para mandar os filhos para a faculdade." (John Green, Cidades de Papel)
Ele também fala sobre sermos artificiais, superficiais e sobre nos conhecermos e conhecermos um ao outro melhor. Isso é bem discutido quando se fala de Margo, cada um a vê de um jeito e espera coisas diferentes dela, mas quem é ela afinal?
As reflexões dela sobre si mesma, sobre sua artificialidade, expectativas acumuladas e sobre quem a cerca já tornam o livro muito interessante - ela diz em dado ponto que é uma menina de papel, vivendo numa cidade de papel, pois sua vida é uma mentira (no sentido que é artificial)... Gostei dessa imagem.
Talvez pareça a vocês que gostei de Margo e ela é minha personagem preferida... Mas é um engano! rs Na verdade eu a considerei bem antipática, e a acusação feita por vários personagens de que ela gosta de chamar a atenção para si é fato (na minha humilde opinião). Dado o encerramento da história (cena ótima!) eu considerei que ela jogou muito com o Quentin, ela sabia da paixão platônica dele e usou isso para fazê-lo perder-se de si mesmo, correr atrás dela e ajudá-la quando preciso... Não a acho tão inocente e vítima quanto talvez pareça.
Dessa forma, Quentin é um grande bobo, que projeta na garota a jovem misteriosa, bela e sexy que ele quer e não consegue ver os defeitos e fragilidades de Margo... Além disso ele troca a garota pelos amigos, de certa forma, e os arrasta em suas buscas. Ele é uma pessoa sistemática, tranquila e afeita e rotinas que, concordo com os pais de Margo, é arrastado por ela para um turbilhão.
Outra personagem que gostei é Lacey, a outra amiga de Margo. Ela é bonita, sensual mas... Uma pessoa inocente (simples talvez seja um bom termo), que gosta de Margo, que desiste de andar com seus "amigos" quando percebe a falsidade deles. Tenho uma afeição por personagens secundárias em desenhos, séries e livros; e me simpatizei com Lace!

Concluindo, Cidades de Papel é um bom livro, leve, divertido mas capaz de fazer você colocar a mão na consciência e refletir sobre si mesmo. Confesso que o livro me deixou um pouco triste pelo final, mas ele é muiiito belo; espero que gostem da leitura!

Comentários

  1. Fiquei curioso para ler esse livro, mas também fiquei com receio, pois ao tempo que fui lendo seu resumo comecei a imaginar um final pra esse livro. (rs). Gostei bastante da maneira que você escreveu, ficou bem divertido.
    Mais uma resenha ótima de se ler, elas ficam cada vez melhores. Obrigada Leitora Fantástica por mais uma dica de livro.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

A Transformação - Nora Roberts

O Último Desejo - Andrej Sapkowski

Como ter o coração de Maria no mundo de Marta - Joanna Weaver