Uma prova de amor - Emily Giffin

Acabei de terminar esse livro, não sou muito de escrever logo depois que termino a leitura, mas esse foi inquietante o suficiente para merecer esse "privilégio".
Ganhei ele no meu aniversário de um amigo da faculdade; ele contou que escolheu o livro porque sempre compartilho trechos de Um dia (David Nicholls). Julgando pelo título, ele achou  que eu podia gostar e comprou - simples assim! rsrsrs
Demorei um tempo para começar, por vários motivos entre eles:
  1. O livro é grande, por isso é difícil de se levar na mochila/bolsa... Então fiquei lendo livros finos, que eu podia levar na bolsa e ler no trem.
  2. Eu comecei a ler Questões do Coração, que é da mesma autora e fiquei com tanta raiva da personagem principal e do enredo da história que abandonei o livro.
  3. Tenho preconceito com romances grossos... Muitas vezes o autor simplesmente fica "enchendo linguiça", colocando diálogos enormes e reflexões bobas e tenho que estar com paciência para ler isso.
Bem, mas férias é um período propenso às leituras proteladas e assim eu resolvi colocar minha leitura em dia começando por Uma Prova de Amor; não me arrependi.
A vista que tive enquanto lia :)

A personagem principal é Cláudia Parr, uma editora de Nova York que tem muito sucesso em todas áreas da vida. Conseguiu seu lugar ao sol, tem uma vida economicamente estável, é bonita e tem um marido maravilhoso, Ben Davenport.
Um fato curioso, e que os une, é o fato de que não desejam ter filhos. Cláudia revela que sempre teve problemas para se relacionar por isso, além de sofrer com o preconceito de outras pessoas que a consideram uma mulher egoísta, ou tola ou ainda achavam que tentava esconder a infertilidade sob a capa de um desejo de não ter filhos - na verdade, quando se casa com Ben chega a receber um cartão de uma clínica de fertilização de uma amiga do marido.
A felicidade e estabilidade do casal é quebrada quando Ben resolve que quer sim ter filhos. A personagem principal (que também é a narradora) atribui a mudança ao fato de que s amigos deles resolveram deixar de lado o ideal de não ter filhos para tentar um herdeiro.
Cláudia julga que é um desejo passageiro de Ben e não dá atenção ao desejo do marido, até que percebe que o casamento está desmoronando por isso. Ela resolve não ceder, Ben também... O fim é previsível.
O livro segue acompanhando Cláudia e como ela lida com o divórcio, suas reflexões sobre a maternidade e também a vida de seus parentes. De certa forma o título se justifica porque o tempo todo alguém pede uma prova de amor...
Ela tem duas irmãs: Daphne e Maura. Daphne vive o casamento perfeitinho com um marido bonzinho (Tony), com uma casa no subúrbio e um emprego fofo de professora, mas não consegue ter filhos. Maura tem uma super casa, um marido atraente (Scott) e filhos lindos, incluindo a pequena Zoe; contudo seu marido é um adúltero, o que a torna muito infeliz.
Além delas, a história também foca na história de Jess, a melhor amiga bonita, sexy e bem sucedida de Cláudia, mas que tem uma queda por caras errados. Durante a história ela amarga os frutos de se envolver com um cara chamado Trey, que é casado e apenas a usa mas alimenta suas esperanças com a ideia de que não ama sua esposa e vai deixá-la.
Também conhecemos os pais de Cláudia, que são divorciados porque a mãe dela é uma mulher bonita e insensata, que preferiu deixar o marido e as filhas por aventuras amorosas - ela é casada com um cara chamado Dwight.

A história é bem legal, mas o que mais mexeu comigo foram justamente as "provas de amor" da história. Eu fiquei bem irritada com Cláudia, não por não querer ter filhos, mas sim pelo motivo... Ela soa o tempo todo arrogante e egoísta - chega a ficar com raiva de Annie e Ray (o casal de amigos que engravidam) por causa do bebê - além de se esforçar a maior parte do tempo para mostrar que ter um bebê era uma má ideia.
De certa forma, seu casamento dá errado porque ela não sabe ceder, não tolera o fato de que as pessoas mudam - ela se sente traída por Ben mudar de ideia. Está aberta a amar apenas quem se enquadra em seus padrões, por isso abre mão de Ben facilmente quando ele deixa de ser exatamente quem (e como) ela gosta... Chega a afirmar na hora em o deixa, que esperava que ele implorasse seu amor, abrindo mão de seu propósito de ser pai.
Parr evolui bastante ao longo da história, acho que ela aprende muito sobre o que é o amor e o que alguém que ama é capaz de fazer - a prova de amor.
Maura e Daphne podem ser irritantes; mas me comove o ponto em que Maura resolve perdoar Scott mais uma vez por seus filhos, e também quando Daphne descobre o porquê não consegue engravidar.
A relação de Cláudia e sua mãe também é explorada... A insensibilidade de Vera a dor da filha, os conflitos entre elas, tudo é belo e interessante para refletir.
Bem, mas durante a leitura fiquei pensando um tempo sobre como tenho amado, se não tenho sido egoísta como Cláudia Parr; se não tenho imposto como condição para o meu amor ser "paparicada" e agradada.
Será que a pura força de vontade de perdoar é o suficiente para acertar as coisas entre minha irmã e sua família? Porque, apesar de tudo, poder é uma coisa. Amor é algo completamente diferente.
"Fieis são as feridas feitas pelo que ama, mas os beijos de quem odeia são enganosos." (Pv 27.6)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A Transformação - Nora Roberts

O Último Desejo - Andrej Sapkowski

Como ter o coração de Maria no mundo de Marta - Joanna Weaver