Orgulho e Preconceito - Jane Austen

Férias após bienal só pode significar uma coisa: leituras!!! (significa muitas sonecas também, mas enfim...)
Faz muito tempo que li esse livro e ele pertence a categoria de livros com história. Foi assim, uma amiga me indicou o filme, que eu assisti curti e postei no face; um amigo meu viu a postagem, avisou que tinha o livro e me ofereceu emprestado. Pronto, li e gostei.
Depois disso, comprei Razão e Sensibilidade, mas estava protelando para comprar Orgulho e Preconceito... Até que achei ele barato na bienal e não resisti e levei para casa.
No livro nós acompanhamos a família Bennet, que é formada por um (improvável) casal e suas cinco filhas - sendo que o foco da história é a mais velha, Jane, e a segunda Elizabeth.
Logo no início temos o alvoroço provocado pela chegada do sr. Bingley, um rapaz jovem, rico e sobretudo solteiro que se instala nas vizinhanças da família. Logo todas as moças da região querem "fisgar" o solteiro e a sra. Bennet quer ver uma de suas filhas casadas com o rapaz.
Contudo, ele não vem sozinho mas acompanhado por suas duas irmãs (sendo uma delas casada) e de seu amigo, Darcy (provavelmente você já ouviu falar dele um dia na sua vida, ou se não ouviu, ouvirá).
Mais rico e belo que Bingley, Darcy logo desperta o interesse das jovens da região; contudo elas logo percebem seu espírito frio, marcado pela arrogância - enquanto Bingley é alegre e simpático. Assim o rapaz logo conquista a antipatia de todos da região.
Logo se forma o casal Jane e Bingley, apaixonados mas que terão dois desafios pela frente:
  1. As irmãs de Bingley não aceitam a posição inferior de Jane e querem mantê-la afastada de seu irmão; em dado ponto do livro uma das irmãs afirma a intensão de casá-lo com a irmã de Darcy.
  2. Jane é extremamente tímida e esconde seus sentimentos, o que acaba gerando problemas para ela.

O outro casal que se forma é Darcy e Elizabeth... É um casal improvável, pois os dois estão sempre se "alfinetando" pois têm um humor ácido e sabem provocar um ao outro como poucos. Contudo, inicialmente a heroína detesta Darcy, e se replica às suas provocações, é apenas para irritá-lo - ela mesma afirma em dado ponto que teve a intensão de causar mais mal que bem com suas falas.
Outras histórias contadas são a de Lydia, a outra irmã; e de Charlotte Lucas, a melhor amiga de Elizabeth.
Lydia é uma jovem parecida com a sra. Bennet; irresponsável, irritante, tem uma vida superficial e uma cabeça interessada apenas por assuntos fúteis - espírito incentivado e alimentado pela mãe e por uma tia, a sra. Phillips. Por fim a moça acaba fugindo com o charmoso Wickham, que é um inimigo de Darcy (os motivos são explicados apenas em dado ponto do livro).
Charlotte é uma moça, de certa forma, vítima de seu tempo. Ela não nutre sentimentos românticos, percebe-se que ela não sente necessidade de se casar mas se casa com um primo de Bennet que as pede em casamento - uma absoluta figura, o cara protagoniza algumas das cenas mais engraçadas da obra... Imagine uma criatura bajuladora, cheia de falsa humildade e moralismo.
Por que faz isso? Ela está velha para se casar, sua família é pobre e ela teme virar uma pedra no sapato de seus irmãos; assim diante do primo de Elizabeth, que pode oferecer uma vida estável a ela, além de certa independência, não pode deixar de agarrar a oportunidade.
Gostei muito da história não apenas pelo enredo, mas pela maneira leve e bem humorada como a autora coloca suas personagens e suas opiniões pessoais dentro do enredo. É um livro engraçado, leve mas que traz algumas discussões.
Vemos nele um retrato de uma sociedade onde a única opção de uma mulher era se casar - era o ápice e maior honra de uma mulher. Austen também critica, de maneira indireta, que as mulheres sejam educadas para esse objetivo... Seja através da ridícula sra. Bennet, que pensa apenas em casar suas filhas e é capaz de valorizar apenas características supérfluas como beleza e dinheiro; seja através da antipática tia de Darcy, que imagina que as mulheres devam ter vários dons (canto, trabalhos manuais) para serem dignas de um bom casamento.
Também gostei da maneira mais "real" como autora coloca o amor, principalmente entre Darcy e Elizabeth. Eles não se apaixonam instantaneamente, nem tem todos os arroubos românticos (e sexuais) que estão na moda hoje, tudo surge como uma amizade. Ele nota sua beleza, aprecia sua inteligência e antes que perceba está amando; ela deixa de lado sua imagem do Darcy arrogante e percebe que ele pode sim ser um homem honrado e passa a amá-lo.
Gosto de quando ela anuncia seu noivado a irmã, dizendo que enquanto a irmã sorri, ela ri e por isso é mais feliz. É uma descrição de amor muito mais real, e menos interesseira, do que a da "moda"... Onde vejo mais um interesse sexual taxado de amor do que algo mais verdadeiro.
Enfim, é um livro ótimo e que valeu a pena reler!

Orgulho e Preconceito
Jane Austen
316 páginas

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