Um General na Biblioteca (Italo Calvino)

Passei um tempo longe, sem escrever, mas resolvi já postar sobre minha primeira leitura de férias concluída: Um General na Biblioteca, que é de um dos meus autores favoritos, Italo Calvino.
Esse livro traz uma coletânea de contos, apólogos e entrevistas escritos pelo autor entre 1943 e 1984 – o conteúdo está divido em dois períodos, 1943-1958 e 1968-1984. Os apólogos são contos extremamente curtos, enquanto que as entrevistas parecem o script de alguma peça teatral( texto de “Henry Ford” foi escrito para a televisão, contudo nunca foi utilizado).
Apreciei muito alguns contos da obra, outros achei maçantes – principalmente “A Grande Bonança” e “Monólogo Noturno de um Nobre Escocês”, que são contos com conotação política. As entrevistas, no geral são bem chatas mas a de Montezuma traz algumas reflexões importantes sobre o pensamento do homem dito moderno e civilizado.
O que gostei na obra são os cenários improváveis que Calvino no traz, como um regimento que desaparece dentro da cidade, pois começa a temer perturbar a ordem feliz do local( “O Regimento Desaparecido”), o homem que participa de um assalto e da caça aos bandidos ao mesmo tempo( “Solidariedade”), o homem honesto que morre de fome em um país de bandidos( “A Ovelha Negra”), um país que mata seus líderes a intervalos regulares( “A decapitação dos chefes”).
Enfim, são várias situações inusitadas criadas pelo autor; mas há também os contos bem reflexivos, aqueles que te fazem parar e pensar. Entre eles estão “O Chamado das Águas”( que traz uma reflexão sobre o uso da água, sobre gestos diários e sua importância), “Como um voo de patos”( que narra as peripécias de um deficiente mental em meio a guerra), “A Memória do Mundo”( sobre as lembranças... O modo que o autor constrói a narrativa é mágico!), “A Glaciação”( escrito sob encomenda de uma destilaria japonesa).
O meu conto preferido foi exatamente aquele que dá título ao livro: “Um General na Biblioteca”. Esse conto fala de um general destacado para censurar a literatura nacional, como censor deveria ir à biblioteca e ler todos os livros, escolhendo os que deveriam ser livres ou não. O contato do homem com o conhecimento o modifica totalmente, gerando um desfecho inesperado.
“Antes que você diga 'Alô'” também é um texto belíssimo, que traz uma reflexão bonita e profunda sobre o amor e a distância. “O espelho, o alvo” também traz uma reflexão bacana sobre que você e o que persegue... “O Último Canal” me fez pensar sobre algo parecido, a busca do inalcançável.

Um General na Biblioteca
Companhia das Letras, 1ª edição

250 páginas

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